Papa Leão XIV pede paz e condena guerras travadas em nome de Deus
Líder da Igreja Católica enviou mensagem para encontro internacional em Assis
Em mensagem para o encontro em Assis, o Papa Leão XIV pediu o fim dos preparativos bélicos e condenou o uso da fé para justificar conflitos, afirmando que não existe guerra santa e que apenas a paz é sagrada. Celebrando os 40 anos da iniciativa inter-religiosa de João Paulo II, o pontífice criticou o armamentismo e o retorno da guerra como instrumento político, defendendo a oração e o diálogo entre as religiões como caminhos indispensáveis para superar o nacionalismo e construir a concórdia global.
O papa Leão XIV fez um apelo à paz nesta terça-feira (27) e pediu que os povos abandonem os preparativos para novos conflitos armados.
Em uma mensagem em vídeo enviada aos participantes do encontro internacional "Paz Desarmada e Desarmante", realizado em Assis, na Itália, o pontífice afirmou que nenhuma guerra pode ser travada em nome de Deus.
"Devemos reconstruir a paz em toda parte ? não nos preparar para mais guerras! A guerra jamais pode ser travada em nome de Deus!", declarou. Em seguida, reforçou sua posição contra o uso da religião para justificar a violência: "Não existe 'guerra santa': apenas a paz é sagrada!".
Na mensagem, Leão XIV destacou que combater em nome da religião significa, na verdade, atacar a própria fé. Por isso, defendeu a promoção do chamado "espírito de Assis", baseado no diálogo, na mediação e na rejeição de qualquer tentativa de legitimar conflitos armados por meio da religião, especialmente em um contexto marcado por uma "cultura de poder".
O pontífice descreveu esse espírito como uma experiência que une contemplação e ação concreta em favor de um futuro pacífico.
Segundo ele, a paz deve voltar a ser um ideal compartilhado por todos os povos e orientar as decisões políticas e sociais.
"A paz deve voltar a ser o ideal comum de todos os povos, a estrela-guia para cada escolha que fazemos, o critério que denuncia a injustiça e o horizonte compartilhado por toda a humanidade", afirmou.
Leão XIV também recordou o encontro inter-religioso promovido por São João Paulo II em Assis, em 1986, cujo 40º aniversário é celebrado neste ano. A iniciativa reuniu representantes de diferentes tradições religiosas em torno do compromisso com a paz e se tornou uma referência para o diálogo entre as religiões.
Ao retomar esse legado, o Papa ressaltou que o caminho iniciado em Assis passa pela oração e pela busca conjunta de soluções pacíficas para os conflitos. Embora reconheça que rezar possa parecer um gesto frágil diante dos poderes políticos e militares, ele destacou a importância dessa prática para os fiéis.
"Voltamo-nos para Deus, que concede a paz: que Ele toque os corações daqueles que desejam a guerra e o terrorismo. E nunca nos esqueçamos: nunca se reza em vão!", enfatizou.
O Pontífice lamentou não poder participar presencialmente do encontro e reafirmou a importância do diálogo inter-religioso para a construção da paz.
"Eu esperava estar com vocês junto ao túmulo de São Francisco para este aniversário significativo, para ver seus rostos e, juntos, dar um testemunho contundente de que viver como irmãos e irmãs já é possível!", declarou.
Na ocasião, dirigiu saudações aos patriarcas, líderes religiosos, representantes das famílias franciscanas, ao arcebispo Felice Accrocca e aos demais participantes. Também agradeceu ao Dicastério para o Diálogo Inter-religioso e à Comunidade de Sant'Egidio por darem continuidade ao caminho iniciado por seus predecessores.
Para Leão XIV, o encontro de 1986 não poderia ter permanecido como um acontecimento isolado. As iniciativas realizadas desde então, segundo ele, ampliaram o alcance daquela experiência e produziram frutos.
Ao analisar o cenário internacional das últimas décadas, o Papa questionou a ideia de que a globalização e a expansão dos mercados seriam suficientes para garantir estabilidade e paz. Ao citar sua encíclica Magnifica Humanitas, afirmou que esse processo não resultou automaticamente em unidade e bem-estar, mas também provocou reações fundamentalistas, identitárias e nacionalistas.
Por fim, o Pontífice manifestou ainda preocupação com a retomada da guerra como instrumento da política internacional. Para ele, essa tendência representa uma traição à memória do século XX e às milhões de vidas perdidas no que foi descrito como uma "inútil carnificina".
Leão XIV ainda chamou a atenção para o acúmulo de armamentos, que, embora seja apresentado por alguns como uma forma de dissuadir adversários e preservar a paz entre as nações, permanece uma contradição diante do objetivo de evitar novos conflitos. .
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