Papa Leão XIV adverte que saúde não pode ser 'luxo para poucos'
Apelo foi feito durante encontro com membros da OMS e das Igrejas Europeias
Em um apelo por mais justiça social, o papa Leão XIV alertou nesta quarta-feira (18) que o acesso à saúde não deve ser tratado como privilégio de poucos, mas como um direito fundamental de todos.
A declaração foi dada a membros das Conferências Episcopais da Europa e da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante uma conferência sobre saúde em Roma.
"A saúde não pode ser um luxo para poucos, mas sim uma condição essencial para a paz social", afirmou ele, explicando que "a cobertura universal de saúde não é apenas um objetivo técnico a ser alcançado; é, antes de tudo, um imperativo moral para as sociedades que desejam se definir como justas".
Segundo o Papa, "garantir assistência médica aos mais vulneráveis é essencial não apenas por respeito à dignidade humana, mas também como forma de prevenir tensões sociais". "É evitar que a injustiça se torne a semente do conflito", alertou.
Em seu discurso, Leão XIV também chamou atenção para o agravamento das desigualdades no acesso à saúde em diversos países. De acordo com ele, um número cada vez menor de pessoas consegue obter tratamento adequado, mesmo onde há serviços disponíveis.
Além disso, fez um apelo sobre a saúde mental, especialmente entre os jovens. "As feridas invisíveis da psique não são menos graves do que as visíveis", afirmou, pedindo ações urgentes para enfrentar o problema.
Na sequência, Robert Prevost enfatizou que "o distanciamento, a distração e a habituação à visão da violência e do sofrimento alheio nos levam à indiferença".
"Todo homem e mulher, especialmente os cristãos, é chamado a fixar o olhar naqueles que sofrem, na dor das pessoas solitárias, naqueles que, por vários motivos, são marginalizados e considerados 'descartados', porque sem eles não seremos capazes de construir sociedades justas, à medida da pessoa", disse ele.
Por fim, o Papa concluiu ressaltando que o bem-estar coletivo depende da solidariedade, porque ignorar os mais vulneráveis não leva à felicidade, mas ao aprofundamento das desigualdades.
"É ilusório pensar que, ignorando esses irmãos e irmãs, é mais fácil alcançar a felicidade. Somente juntos podemos construir comunidades de solidariedade e capazes de cuidar de cada pessoa, nas quais o bem-estar e a paz se desenvolvam, para o benefício de todos", concluiu o religioso, lembrando que "cuidar da humanidade dos outros nos ajuda a viver a nossa própria".