Papa lamenta ataque de Israel à única igreja católica de Gaza
Duas pessoas morreram na manhã de quinta-feira (17) em um ataque do exército israelense à Igreja da Sagrada Família em Gaza, a única paróquia católica latina do enclave palestino. O "incidente" deixou o papa Leão XIV profundamente entristecido e causa reações de líderes internacionais. Os bombardeios aéreos israelenses causaram, além disso, 22 mortes em outros pontos da Faixa de Gaza, segundo fontes hospitalares.
Duas pessoas morreram na manhã de quinta-feira (17) em um ataque do exército israelense à Igreja da Sagrada Família em Gaza, a única paróquia católica latina do enclave palestino. O "incidente" deixou o papa Leão XIV profundamente entristecido e causa reações de líderes internacionais. Os bombardeios aéreos israelenses causaram, além disso, 22 mortes em outros pontos da Faixa de Gaza, segundo fontes hospitalares.
Um homem e uma mulher morreram e várias pessoas ficaram feridas no bombardeio contra a Igreja da Sagrada Família. Em um comunicado, o Patriarcado Latino falou "em um aparente ataque do exército israelense".
"Rezamos para que suas almas descansem em paz e para que esta guerra bárbara chegue ao fim. Nada pode justificar o ataque a civis inocentes", acrescenta o texto.
Em nota separada, a paróquia da cidade de Gaza relata "muitos feridos, alguns em estado grave". O padre Gabriel Romanelli está entre os feridos, segundo o Patriarcado Latino. Imagens gravadas pela Reuters no hospital Al Ahli de Gaza mostram o sacerdote, de nacionalidade argentina, caminhando com dificuldade, usando uma bandagem na perna esquerda.
O padre Gabriel Romanelli é conhecido por ter sido um interlocutor do papa Francisco sobre a situação no enclave palestino, a quem ele mantinha regularmente informado.
Mensagem do papa
O teto da igreja foi danificado, sua fachada de pedra está queimada e janelas foram destruídas, segundo fotos consultadas pela Reuters.
O papa Leão XIV declarou estar "profundamente entristecido" em um telegrama em homenagem às vítimas, assinado pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e divulgado pela Santa Sé. O Santo Padre assegura ao padre Romanelli e à paróquia sua comunhão espiritual.
O chefe da Igreja Católica "renova seu apelo por um cessar-fogo imediato e expressa sua profunda esperança de diálogo, reconciliação e paz duradoura na região". A mensagem, no entanto, não expressa condenação direta ao ataque.
Ataques em outros pontos da Faixa de Gaza
A Defesa Civil em Gaza confirmou que duas pessoas foram mortas na quinta-feira por um ataque israelense à única igreja católica latina no território palestino, devastado por 21 meses de guerra.
O exército israelense, em comunicado, informou estar ciente das vítimas e dos danos causados à Igreja da Sagrada Família. As circunstâncias do "incidente" estão sendo examinadas e as conclusões da investigação serão divulgadas com total transparência, segundo o comunicado.
O exército israelense destacou ainda que faz todo o possível para poupar civis e infraestruturas civis, incluindo locais religiosos, e lamenta os danos causados a um local de culto ou a civis.
Um palestino, sua esposa e seus cinco filhos foram mortos na quinta-feira em um ataque aéreo do exército israelense em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, segundo médicos palestinos.
Oito homens encarregados da segurança de comboios de ajuda alimentar também foram mortos no norte do enclave, além de três pessoas no centro e quatro em Zeitoun, no leste, segundo fontes médicas.
Reações
A presidente do Conselho italiano, Giorgia Meloni, criticou Israel. "As operações israelenses em Gaza também atingiram a Igreja da Sagrada Família. (...) Os ataques realizados pelas forças israelenses contra a população civil há meses são inaceitáveis. Nenhuma ação militar pode justificar isso", afirmou Meloni em comunicado.
Na França, a presidente do partido de extrema direita RN, Marine Le Pen, declarou no X que "a população civil, assim como as minorias religiosas cristãs, devem ser protegidas à luz do direito internacional", na "luta legítima que Israel trava para erradicar os radicais islâmicos do Hamas".
(Com AFP e Reuters)