Países do Golfo mudam de postura e recuos de Trump desgastam sua credibilidade no conflito com o Irã
Desde o início desta semana, os Estados Unidos mantêm em suspense a continuidade da guerra contra o Irã. Na terça-feira (19), o presidente Donald Trump afirmou ter cancelado, no último momento, novos bombardeios. Países do Golfo teriam influenciado a decisão.
Para Le Figaro, o presidente americano estaria ganhando tempo sob pressão de países como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, que temem ser diretamente afetados por uma intensificação do conflito. Esses Estados deixaram de atuar apenas como meros espectadores e passaram a desempenhar um papel diplomático mais ativo, em um contexto em que o Irã demonstra maior capacidade de dissuasão, tornando menos eficaz a estratégia baseada exclusivamente em ameaças
A vulnerabilidade desses aliados também pesa no cálculo. O jornal Le Parisien destaca que os Emirados Árabes Unidos, historicamente partidários de uma relação pragmática com Teerã, vêm sendo alvo direto da escalada — com a interceptação de mais de 2 mil drones e cerca de 500 mísseis balísticos, dados que evidenciam a vulnerabilidade do território e o risco para infraestruturas críticas.
Diante desses ataques, Abu Dhabi abandonou uma postura mais cautelosa e endureceu seu posicionamento, ao mesmo tempo em que a aproximação com Israel contribui para tornar o cenário mais tenso e imprevisível, em uma região ainda dividida sobre como reagir ao Irã.
Impasse
Na avaliação do Libération, Trump se encontra em um impasse, com o conflito situado em uma zona cinzenta, "nem guerra nem paz", e negociações travadas por demandas inconciliáveis.
Segundo o jornal, o presidente alterna ameaças e recuos, suspendendo operações ao mesmo tempo em que mantém um discurso agressivo, o que compromete sua credibilidade. Teerã interpreta esses movimentos como sinal de que sua estratégia de dissuasão vem funcionando.
Além disso, o Irã preserva grande parte de seu poder militar, com cerca de 70% de seus mísseis e lançadores ainda operacionais, e aproveita a trégua para recompor capacidades e se preparar para novos confrontos.
Enquanto isso, o conflito consome recursos significativos dos Estados Unidos e provoca impactos na economia global, com alta nos preços do petróleo e risco de desaceleração do crescimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já revisou suas projeções para baixo.
Para o Libération, Trump dispõe de três opções, todas desfavoráveis: manter o impasse, intensificar o conflito ou recuar e aceitar um acordo menos rigoroso. Já o Irã aposta na estratégia de desgaste, confiante de que pode prevalecer ao longo do tempo.
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