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Oriente Médio

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Traficantes de fiéis fazem dinheiro com peregrinação a Meca

1 nov 2010 - 06h01
(atualizado às 07h38)
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A peregrinação ilegal de estrangeiros a Meca e outros santuários islâmicos da Arábia Saudita se transformou em um lucrativo negócio para os traficantes e em uma perigosa aventura para os fiéis muçulmanos que a empreendem.

Com a proximidade do período de peregrinação, em meados de novembro, essa atividade tradicional do Islã, conhecida como "hajj", ganha força entre os muçulmanos que não podem realizá-la de maneira legal por diversas razões.

Entre as causas está o alto custo, pelo menos US$ 1.400 por pessoa, e a impossibilidade de peregrinar mais de uma vez a cada cinco anos, de acordo com os limites fixados pelos responsáveis sauditas.

A isso se unem recentes disposições que proíbem a peregrinação de estrangeiros que residam ilegalmente na Arábia Saudita.

As autoridades sauditas estão intensificando suas chamadas para alertar sobre traficantes de fiéis, porque colocam em risco a vida de pessoas sem documentos ao transportá-las em veículos que podem ter problemas mecânicos ou ficar enguiçados na areia do deserto, longe de qualquer ajuda.

Segundo disse à Agência Efe um policial que serve em um posto de controle nos acessos a Meca, Mohamed al Chomari, as quadrilhas fazem os peregrinos ilegais descerem dos carros antes de um controle policial, para que o cruzem a pé, e depois os recolhem novamente para levá-los às cercanias do santuário.

A peregrinação - um dos cinco pilares do Islã, junto com o jejum durante o mês do Ramadã, a esmola, as cinco rezas diárias e a profissão de fé - é obrigatória pelo menos uma vez na vida para todo muçulmano cuja saúde e situação econômica o permitam.

Os traficantes cobram em torno de US$ 400 às pessoas que querem entrar ilegalmente em Meca, segundo confessou recentemente o integrante de um destes bandos, que foi multado em US$ 12 mil e que teve confiscado o veículo 4 x 4 avaliado em US$ 40 mil.

"Os peregrinos clandestinos são transportados por uma pessoa que os levam de suas casas a lugares determinados do deserto, onde são recolhidos pelos traficantes", explicou o integrante da quadrilha.

Muitas vezes os traficantes descumprem o acordo, segundo relatou à Efe um imigrante egípcio ilegal identificado como Mohamed Yunis, que lembra a amarga experiência vivida por um de seus familiares.

Yunis conta que seu parente, após permanecer como imigrante ilegal na Arábia Saudita, decidiu realizar a peregrinação antes de retornar ao Egito, e por isso recorreu a um traficante que o levou junto a outros fiéis a um local no deserto.

Lá, o criminoso fez todos descerem do veículo para que caminhassem um quilômetro com a promessa de que voltaria a recolhê-los depois, mas não foi o que aconteceu e os fiéis tiveram que caminhar pelo deserto por vários dias, até que foram resgatados pelas forças de segurança sauditas.

Depois foram repatriados a seus respectivos países, após passar vários meses presos por estarem ilegais, concluiu Yunis.

Mas nem todo o trânsito de peregrinos ilegais a Meca é realizado pelo deserto, já que a Polícia descobriu homens tentando entrar na cidade vestidos como as mulheres sauditas, que cobrem o rosto e o corpo.

Para evitar a farsa, o Departamento de Estrangeiros estabeleceu a partir deste ano postos de controle femininos para checar o verdadeiro sexo das pessoas que entram na cidade sagrada, e assim foram descobertos muito peregrinos ilegais tentando entrar vestidos como mulheres.

Neste caso, o risco é duplo, já que se descobertos esses homens podem pegar vários anos de prisão não só pela peregrinação ilegal, mas também por delitos contra a moral.

EFE   
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