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Rússia não reconhecerá Hamas, Hezbollah e PKK como organizações terroristas

15 nov 2015 14h26
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A Rússia não reconhecerá o movimento islamita palestino Hamas, o grupo xiita libanês Hezbollah e o Partido de Trabalhadores do Curdistão (PKK), da Turquia, como grupos terroristas em uma lista internacional de organizações extremistas que está sendo elaborada pela Jordânia após a Cúpula de Viena.

O anúncio foi feito neste domingo pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov. Os chanceleres de 20 países - entre eles a própria Rússia, Estados Unidos, Irã, Turquia e Arábia Saudita - se reuniram ontem na capital austríaca para negociar o futuro da Síria e pediram que a Jordânia lidere a redação de uma lista única e aceitável por toda a comunidade internacional sobre as organizações terroristas que devem ser combatidas em todo mundo.

No encontro, os chanceleres só concordaram, por enquanto, com a inclusão dos grupos jihadistas Estado Islâmico (EI) e Frente al Nusra, filial da Al Qaeda na Síria, na relação.

"Alguns dizem que o Hezbollah é uma organização terrorista, também o Hamas, mas nós temos contato e relações com eles, porque não os consideramos terroristas. Nunca cometeram atentados em território russo", disse Bogdanov aos jornalistas.

O Hezbollah, segundo o vice-chanceler, "é uma força política e civil legal, escolhida pelo povo para o parlamento do Líbano, além de ter ministros no governo desse país árabe".

"O mesmo ocorre com o Hamas. Os americanos consideram o Hamas uma organização terrorista, mas nós não achamos isso, porque se trata de uma parte integral da sociedade palestina", ressaltou.

Bogdanov, que também é representante para o Oriente Médio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu que estabelecer uma lista internacional é "um assunto difícil que requer trabalho coletivo", já que os países possuem grandes diferenças nos critérios para classificar as organizações.

A Turquia, explicou, considera o PKK como terrorista, uma postura com a qual nem os Estados Unidos concordam, um aliado de Ancara dentro da Otan. "Se dentro da Otan eles têm diferenças, o que dizer de nós?", questionou o diplomata russo.

"Nas próximas 2 ou 3 semanas são esperados os primeiros contatos, entre especialistas antiterrorismo de diferentes países, organizados pelos jordanianos, para determinar quem é terrorista ou não", concluiu Bogdanov.

Os países reunidos ontem em Viena firmaram um roteiro para resolver em 18 meses o conflito sírio e reunir esforços na luta contra o terrorismo, pressionados pela barbárie mais uma vez promovida pelo EI na série de atentados realizados em Paris, que causaram a morte de 129 pessoas.

EFE   
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