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Jihadistas egípcios juram lealdade ao grupo Estado Islâmico

O juramento desses radicais é o apoio mais importante que o EI recebeu fora do Iraque e da Síria

10 nov 2014
14h23
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O Iraque abriu uma investigação para apurar se o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, foi ferido ou morto durante um bombardeio norte-americano
Foto: AP

O Ansar Beit al-Maqdis, principal grupo jihadista egípcio e que até agora estava vinculado à Al-Qaeda, jurou fidelidade à organização Estado Islâmico (EI), segundo uma gravação de áudio divulgada nesta segunda-feira.

"Anunciamos que juramos fidelidade ao califa Ibrahim Ibn Awad [...] para ouvi-lo e obedecê-lo", afirma a gravação, divulgada no Twitter, em referência ao líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, que segundo especulações poderia estar ferido ou morto após um ataque aéreo americano. As autoridades iraquianas abriram uma investigação, mas não existe confirmação.

"Não há informação precisa sobre o paradeiro de Baghdadi", afirmou uma fonte do serviço de inteligência iraquiano à AFP.

Segundo o Pentágono, um ataque aéreo perto da cidade de Mossul, norte do Iraque, ou outra incursão na província de Anbar poderiam ter ferido ou provocado a morte do líder jihadista, mas até o momento ninguém teve condições de confirmar uma informação precisa.

O presidente americano Barack Obama afirmou no domingo que a batalha contra o EI chegou a uma "nova fase", após vários meses de incursões aéreas.

O juramento dos jihadistas egípcios é o apoio mais importante que o EI recebeu fora do Iraque e da Síria, o que sugere que sua influência sobre as milícias jihadistas começa a fazer sombra à Al-Qaeda, da qual se separou em 2013.

O Ansar Beit al-Maqdis, que significa "Partidários de Jerusalém", foi formado durante o vazio de poder registrado após a queda do regime de Hosni Mubarak, em 2011.

O grupo executou vários ataques na fronteira com Israel e contra soldados e policiais egípcios. A meta é estabelecer a lei islâmica e vingar os islamitas que morreram na repressão após a queda do presidente islamita Mohamed Mursi.

Desde que Mursi foi destituído pelo exército egípcio em julho do ano passado, o grupo executou ataques na península do Sinai que mataram vários policiais e soldados.

"São nomes diferentes para os mesmos terroristas", disse à AFP o porta-voz do ministro egípcio do Interior, Hany Abdel Latif .

Na gravação divulgada nesta segunda-feira, o grupo convoca os muçulmanos a "unir-se ao califa e apoiá-lo", o que não deixa claro se o pedido é uma mudança de tática que implicaria atacar alvos ocidentais no Egito, como defende o comando do EI.

Assim como o Ansar Beit al-Maqdis no Egito, outros grupos jihadistas na Líbia e na Argélia declararam lealdade ao EI.

Enquanto a influência do grupo aumenta, as principais filiais da Al-Qaeda não reconhecem a autoridade de Baghdadi. O braço sírio da Al-Qaeda, a Frente Al-Nusra, luta contra o EI, apesar de ter estabelecido alianças pontuais com seus combatentes.

Muitos analistas consideram que o EI, com sua brutalidade e extrema violência, está desbancando a Al-Qaeda.

"O EI destronou definitivamente a Al-Qaeda como referência na jihad global", afirmou Jean-Pierre Filiu, especialista em islã radical do prestigioso instituto Sciences Po de Paris.

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