Irã: polícia dispersa protestos dos opositores a Ahmadinejad
A Polícia antidistúrbios iraniana, com apoio de milicianos islâmicos Basij, reprimiu nesta sexta duramente a manifestação dos opositores, o que gerou enfrentamentos com gás lacrimogêneo, pedras e garrafas no centro de Teerã.
Nos distúrbios, segundo relataram testemunhas, o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami foi agredido por milicianos Basij. As dezenas de milhares de pessoas que aproveitaram a convocação anual de protesto contra Israel e a favor dos palestinos esbarraram na dura repressão policial, que acabou em uma batalha campal.
Os manifestantes com os distintivos verdes do movimento reformista foram dispersados com gás lacrimogêneo e cassetetes, para impedir que continuassem os protestos.
Manifestação
Dezenas de milhares de partidários da oposição iraniana promoveram hoje uma manifestação no centro de Teerã em apoio aos palestinos para protestar contra o regime, causando tensão e um princípio de enfrentamentos contra grupos de apoio ao presidente, Mahmoud Ahmadinejad.
Os opositores, que levavam, além de bandeiras palestinas, os distintivos e vestimentas verdes da oposição reformista de Mir Hussein Moussavi e faziam o sinal da vitória e cantavam gritos de guerra contra o governo, superando amplamente ao grupo que aderia à manifestação oficial.
"Mentiroso, onde estão seus 64%" cantavam os manifestantes pelas ruas do centro de Teerã em alusão à percentagem de votos atribuída a Ahmadinejad, ganhador das polêmicas eleições do passado 12 de junho.
A Polícia vigiava a manifestação mas não intervinha para dispersar aos opositores, que protestavam contra o que consideram uma fraude nas eleições de junho, que deram a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Isso até um pequeno grupo de voluntários das milícias islâmicas Basij e partidários de Ahmadinejad tentaram, sem sucesso, impedir a passagem dos seguidores de Mussavi nas proximidades da avenida Keshavarz, onde a tropa de choque da polícia teve que usar gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Os manifestantes usavam uma analogia ao slogan oficial da passeata ("Morte a Israel") e gritavam "Morte à Rússia", em referência ao apoio do Governo de Moscou a Ahmadinejad, além de "Morte ao ditador".
O mesmo coro continuou ao redor da Universidade de Teerã, onde o aiatolá Ahmad Khatami ia pronunciar o sermão semanal.
Durante o percurso os reformistas e opositores ao Governo de Ahmadinejad encontraram com o aspirante presidencial derrotado Mehdi Karrubi, rodeado por seus guarda-costas. "Valente, te apoiamos", proclamavam os mais exaltados que advertiam que sua detenção suporia uma "revolta no Irã".
Os seguidores de Musavi confiavam em que o líder opositor acudisse em algum ponto da manifestação junto ao ex-presidente reformista Mohamad Khatami.
Hoje, a última sexta-feira do ramadã (jejum muçulmano), é marcada no calendário iraniano como "Dia de Al Quds" (Jerusalém), quando todos ano os iranianos participam de uma manifestação de apoio aos palestinos antes de acudir ao sermão de sexta-feira.