Oposição italiana critica 'silêncio' de Meloni sobre vitória de Lula
Presidente do Brasil foi reeleito para quarto mandato em virada histórica no 2º turno
Líderes da oposição italiana celebraram a vitória de Lula para a presidência do Brasil, com 51,79% dos votos, junto à derrota governista na Sérvia, apontando ambos os pleitos como avanços democráticos frente ao autoritarismo da direita. O grupo criticou duramente o silêncio da primeira-ministra Giorgia Meloni, classificado como anti-institucional, contrastando com a postura de figuras como Roberto Gualtieri, Giuseppe Conte e Matteo Renzi, que exaltaram a mobilização popular e a esperança.
Representantes da oposição italiana celebraram nesta segunda-feira (26) a vitória histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato, destacando a mobilização popular, a defesa da democracia e criticando o silêncio da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sobre o pleito.
Os parlamentares e dirigentes políticos também comemoraram o resultado eleitoral no pleito legislativo na Sérvia, no qual o ex-presidente Aleksandar Vucic declarou que seu partido, o Sérvia Unida (SNS), foi derrotado.
Luana Zanella, líder do grupo Aliança Verde e de Esquerda (AVS) na Câmara dos Deputados, afirmou que a vitória de Lula e o resultado na Sérvia incomodaram tanto Meloni que a primeira-ministra não se pronunciou. Para a deputada, a ausência de manifestações é "inquietante e anti-institucional".
O prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, também parabenizou o líder brasileiro, a quem chamou de amigo. Em publicação na rede social X, ele classificou o resultado como "uma vitória da esperança e da participação", ressaltando o envolvimento de jovens e mulheres na defesa da democracia, da Constituição e da soberania brasileira.
"O Brasil volta a avançar, fortalecido por seus valores e por seu povo. Parabéns, senhor presidente!", escreveu.
Nicola Fratoianni, dirigente da AVS, destacou os resultados no Brasil e na Sérvia como sinais de que existe uma alternativa à direita. Segundo ele, os dois casos demonstram que a mobilização popular e a participação ampla podem conter o avanço de forças políticas que considera autoritárias.
O parlamentar também defendeu a construção de um futuro baseado em direitos e liberdades, em oposição ao que descreveu como uma agenda de ódio e medo: "Hoje, acordamos sentindo-nos mais felizes. Existe uma alternativa à agenda de autoritarismo e guerra da direita." Na mesma linha, a deputada Laura Boldrini, do Partido Democrático (PD), afirmou que os resultados representam uma vitória da participação cívica sobre lideranças autoritárias.
Ao comentar sobre o pleito no Brasil, ela destacou a mobilização de diferentes setores da sociedade em apoio a Lula e criticou as interferências externas durante a campanha.
Já sobre a Sérvia, ressaltou a atuação dos estudantes após meses de manifestações e protestos.
O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, também comentou os resultados. Em publicação na rede X, afirmou que a vitória de Lula e o desempenho dos estudantes sérvios mostram que obstáculos e tentativas de conter demandas por justiça social não prevalecem quando a população decide participar.
Já Angelo Bonelli, também da AVS, classificou a vitória de Lula e o resultado sérvio como extraordinários. Ele destacou a mobilização de setores populares brasileiros, incluindo comunidades indígenas e moradores de bairros pobres, e criticou as restrições impostas a perfis e conteúdos relacionados ao presidente nas redes sociais, além das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos durante a campanha.
Bonelli também chamou a atenção para a diferença entre a postura de Meloni em relação a Lula e a Matteo Salvini, vice-premiê e líder da Liga. Segundo o parlamentar, a primeira-ministra parabenizou Salvini por sua recondução à liderança do partido, mas não se manifestou sobre o resultado brasileiro nem sobre os acontecimentos na Sérvia.
O deputado acrescentou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em dúvida a vitória de Lula e questionou se Meloni seguiria a mesma postura. Para Bonelli, os resultados nos dois países representam uma mensagem política que merece atenção na Itália e no restante da Europa.
Já o ex-premiê da Itália Matteo Renzi destacou que os resultados políticos na Sérvia e no Brasil destacam a capacidade do povo de surpreender previsões e pesquisas, mostrando que a política pode tomar rumos inesperados.
Renzi destacou que a idade não é um obstáculo para a vitória, citando os jovens na Sérvia e um homem de 80 anos no Brasil.
Para ele, aqueles que cultivam e compartilham a esperança antes da raiva podem alcançar o sucesso.
"Quanto a Lula, apenas um pensamento pessoal: penso que lá de cima dom Renzo Rossi estará comemorando a vitória de seu "amigo", concluiu ele, em referência ao falecido padre italiano, defensor dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura.
Com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. .
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