Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Oposição acusa Meloni de provocar crise diplomática 'desnecessária' com Espanha

Controles de fronteiras a viajantes foram retomados em meio a disputa sobre imigração

8 ago 2026 - 12h12
(atualizado às 13h16)
Compartilhar
Exibir comentários

A oposição italiana criticou neste sábado (8) a decisão do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni de manter controles nas fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha, após a "invasão" de migrantes em Ceuta.

Espanha impôs represália e suspendeu Acordo de Schengen com Itália
Espanha impôs represália e suspendeu Acordo de Schengen com Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A medida, adotada com base nas regras do Espaço Schengen, foi considerada como "uma crise diplomática desnecessária" com Madri e uma forma de prejudicar os cidadãos italianos. A tensão aumentou depois que a Espanha também decidiu impor controles aos viajantes procedentes da Itália até o próximo dia 7 de setembro.

Nicola Fratoianni, líder da Aliança Verde e da Esquerda (AVS), classificou a decisão italiana como um erro que poderá ter consequências para o país. "A propaganda cínica do governo Meloni produziu o que era previsível: um efeito bumerangue que os italianos pagarão caro", afirmou.

Segundo Fratoianni, o governo deveria revogar imediatamente a suspensão das regras de livre circulação previstas pelo Acordo de Schengen, porque a medida "é um erro colossal".

O ex-premiê da Itália e líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, também atacou a decisão. Para ele, a medida representa "propaganda estéril de um governo que fracassou nos desembarques e repatriações".

Conte comparou a postura atual de Meloni com a reação do governo italiano diante do aumento dos desembarques de migrantes no país. De acordo com ele, nos últimos quatro anos, o país registrou cerca de 150 mil desembarques a mais do que a Espanha.

"Quando Meloni se deparou com um número recorde de desembarques, ela escreveu para Ursula von der Leyen, que viajou para Lampedusa e pediu solidariedade de toda a Europa. Quando isso acontece com você, você pede solidariedade europeia; se acontece com a Espanha, você suspende Schengen?", questionou.

O deputado Angelo Bonelli, da AVS e coporta-voz do Europa Verde, afirmou que "Meloni provocou uma crise com a Espanha ? uma crise tão inútil quanto prejudicial ? na tentativa de recuperar apoio na Itália".

Bonelli considerou inaceitável utilizar o cargo de primeira-ministra para fazer propaganda contra a Espanha, país que, segundo ele, sempre demonstrou solidariedade à Itália em momentos de dificuldade.

O parlamentar também questionou a justificativa relacionada aos acontecimentos em Ceuta, enfatizando que o enclave não integra o Espaço Schengen e os migrantes envolvidos nos episódios não chegaram à Europa por via aérea.

Já a deputada Laura Boldrini, do Partido Democrático (PD), afirmou que a crise se transformou em um "gol contra" para o governo italiano.

Segundo ela, a decisão de suspender as regras de livre circulação em relação à Espanha foi desproporcional, já que a crise em Ceuta teria sido resolvida em 48 horas, com a maior parte dos migrantes retornando ao Marrocos.

Riccardo Magi, secretário do partido Più Europa, classificou a crise como "extremamente grave" e afirmou que ela demonstra os efeitos do nacionalismo sobre a integração europeia.

Para Magi, a decisão italiana representa um "efeito bumerangue" para Meloni, que estaria cada vez mais isolada na Europa também no debate sobre a gestão migratória.

O parlamentar destacou ainda que nenhuma das pessoas que entraram ilegalmente pela região de Ceuta teria sido impedida de chegar à Itália, o que, em sua avaliação, torna a manutenção dos controles ainda mais contraditória.

Enquanto Meloni e seus ministros ainda não comentaram a decisão espanhola, integrantes da base governista defenderam a manutenção dos controles.

Maurizio Lupi, líder do partido Noi Moderati, afirmou que a Espanha continua sendo "uma grande amiga da Itália", mas criticou as políticas migratórias do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que teria aberto "as portas para a imigração ilegal ? algo que nem a Itália nem a Europa podem aceitar".

Segundo ele, o problema não será resolvido por meio de "chantagem", mas com uma mudança de política, respeito às diretrizes europeias e atuação conjunta dos países.

O Força Itália, partido do ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, também defendeu a decisão do governo, afirmando que informações provenientes da Espanha indicavam a chegada de pessoas em situação irregular.

De acordo com o partido, cerca de 15 migrantes em situação irregular que viajavam da Espanha para a Itália foram interceptados durante verificações realizadas em cinco aeroportos do norte italiano.

Os controles foram estabelecidos após Roma suspender as regras de Schengen para viajantes procedentes da Espanha. 

Ansa - Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra