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Oposição abandona comissão da Covid na Itália e faz acusação contra partido de Meloni

FdI teria ultrapassado os 'limites' em caso de subornos para venda de máscaras

8 jun 2026 - 11h49
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Os principais grupos de oposição no Parlamento italiano abandonaram nesta segunda-feira (8) os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a pandemia de Covid-19, em meio a uma forte escalada de tensões políticas com a maioria governista.

    A decisão foi formalizada em uma declaração conjunta dos líderes parlamentares do Partido Democrático (PD, Movimento 5 Estrelas (M5S), Aliança Verdes e Esquerda (AVS) e Itália Viva (IV).

    No texto, os parlamentares afirmam que abandonam a comissão "porque o partido Irmãos da Itália (FdI) ultrapassou um limite intransponível".

    Segundo o comunicado, o estopim da crise teria sido a decisão do presidente da comissão, o senador do FdI Marco Lisei, de delegar a consultores externos a tarefa de entrevistar cidadãos em uma delegacia de polícia. Para a oposição, essa medida violaria regras parlamentares e comprometeria a legalidade dos trabalhos.

    Os grupos oposicionistas afirmam ter enviado uma carta aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado pedindo o cancelamento da audiência marcada para o dia, sem receber resposta. Eles também contestam a alegação da maioria de que a delegação teria sido aprovada pela Mesa da comissão.

    No texto, os parlamentares sustentam que atividades de investigação parlamentar não poderiam ser delegadas a entidades externas, o que tornaria nulos os atos realizados sob esse formato.

    Com isso, anunciaram a retirada dos trabalhos e pediram a renúncia de Lisei, acusado de ser "incapaz de cumprir seu papel como garantidor".

    O líder da bancada do Partido Democrático no Senado, Francesco Boccia, criticou duramente a condução da comissão, afirmando que o Parlamento estaria sendo "humilhado" e acusou a maioria de transformar a investigação em um "julgamento político" sobre a gestão da pandemia.

    "Esta comissão começou mal desde o início", disse Boccia, acrescentando que a oposição permanece porque, sem sua presença, "tudo poderia ser feito sem limites".

    Em resposta, parlamentares do Irmãos da Itália rejeitaram as acusações e classificaram a saída da oposição como um "erro sem precedentes" e um "fracasso político".

    Segundo a bancada governista, todas as decisões contestadas teriam sido tomadas com conhecimento e participação da própria Mesa da comissão, incluindo representantes da oposição.

    Os deputados da maioria também alegam que a polêmica teria sido alimentada por uma interpretação incorreta de procedimentos internos e que não haveria irregularidades na condução das diligências.

    "Este episódio grotesco, apesar da gafe sensacional, levanta uma grande questão: por que a oposição está tão assustada com a coleta de informações vagas de testemunhas-chave no alegado caso de subornos para venda de máscaras?", questionaram os parlamentares do partido de Giorgia Meloni. .

Ansa - Brasil
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