ONU prepara reestruturação histórica diante de crise orçamentária e cortes radicais em financiamento
A Organização das Nações Unidas (ONU) se prepara para a sua maior reforma estrutural em décadas, segundo um memorando interno que veio a público recentemente. O documento sugere uma reestruturação profunda da entidade, que enfrenta sérias dificuldades financeiras e um aumento constante de demandas globais.
A Organização das Nações Unidas (ONU) se prepara para a sua maior reforma estrutural em décadas, segundo um memorando interno que veio a público recentemente. O documento sugere uma reestruturação profunda da entidade, que enfrenta sérias dificuldades financeiras e um aumento constante de demandas globais.
Carrie Nooten, correspondente da RFI em Nova York
A revelação gerou preocupação entre os funcionários das Nações Unidas, de Nova York a Genebra, onde 500 servidores chegaram a protestar na quinta-feira, 1º de maio, feriado no continente europeu tradicionalmente dedicado à luta pelos direitos dos trabalhadores.
Caso todas as medidas sejam aprovadas pelos 193 países membros da instituição, dezenas de agências da ONU serão reorganizadas em quatro grandes áreas: paz e segurança, ajuda humanitária, desenvolvimento sustentável e direitos humanos.
Entre as propostas está a unificação das operações do Programa Mundial de Alimentos, da Unicef, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Alto Comissariado para Refugiados em uma única agência.
Ameaça direta à estabilidade da organização
O documento também alerta para a queda nas contribuições financeiras dos países membros, apontando esse fator como ameaça direta à estabilidade da organização. A administração do presidente Donald Trump, por exemplo, planeja cortar toda a contribuição dos Estados Unidos, o que representa cerca de 25% do orçamento total da ONU.
Enquanto o volume de trabalho aumenta — com o Conselho de Segurança ampliando o número de missões —, os recursos estão cada vez mais escassos. "Estamos muito preocupados", afirmou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, em entrevista coletiva.
Ele explicou que o secretário-geral da entidade, António Guterres, tem tomado medidas para lidar com a crise de caixa, provocada principalmente pelo atraso ou inadimplência dos países contribuintes. "Guterres tem agido para manter o funcionamento da organização e proteger os empregos dos funcionários", completou.
Redução de milhares de postos de trabalho
Os efeitos das restrições orçamentárias já começaram a aparecer. O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários (Ocha) anunciou o corte de 20% de seu pessoal. A Unicef também prevê redução de 20% no orçamento, e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima uma queda de 30%, o que pode resultar na perda de cerca de 6 mil postos de trabalho.
O plano de contenção de gastos também conta com a transferência de uma parte da sede das Nações Unidas para Nairóbi, no Quênia.
Apesar da urgência, nenhuma mudança poderá ser feita sem o aval dos países membros. O grupo de trabalho responsável pelas propostas deve apresentar novas sugestões nas próximas semanas.
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