ONU pede investigação 'rápida' e 'transparente' sobre bombardeio de escola no Irã
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta sexta‑feira (6) que a investigação americana sobre o suposto bombardeio de uma escola em Minab, no Irã, seja "rápida" e "transparente". O jornal The New York Times e a agência de notícias Reuters evocaram a possibilidade de que a autoria do ataque seja dos Estados Unidos.
"Esperamos que os responsáveis prestem contas, porque é evidente que erros foram cometidos", afirmou Türk durante uma coletiva de imprensa em Genebra. Segundo ele, haverá "reparações e compensações".
"Por ser uma escola, trata‑se obviamente de uma instituição civil que jamais deveria ser atacada", lembrou o Alto-Comissário da ONU. Türk também expressou "sérias preocupações" quanto ao respeito ao direito internacional humanitário e questionou "o tipo de armamento utilizado" no ataque.
Embora o balanço total de mortos ainda não tenha sido confirmado de forma independente, as autoridades e a mídia estatal iranianas afirmam que o bombardeio, ocorrido no último sábado (28), matou mais de 150 pessoas, incluindo dezenas de crianças da escola primária Shajarah Tayyebeh, em Minab, na província de Hormozgan. Já o Unicef informou nesta sexta‑feira que 168 alunos morreram no ataque, a maioria seriam meninas de 7 a 12 anos.
Circunstâncias do bombardeio são investigadas
Agências internacionais de notícias alegam não terem conseguido acessar o local para verificar de forma independente o número de vítimas ou as circunstâncias do bombardeio. Mas, segundo a AFP, a escola ficava próxima de dois locais gerenciados pela Guarda Revolucionária do Irã, o braço ideológico das forças armadas da República Islâmica.
A clínica Shahid Absalan, administrada pela Marinha da Guarda Revolucionária, fica a 238 metros do local bombardeado. O complexo cultural Seyed al-Shohada, que também pertence ao corpo militar iraniano, fica a 286 metros.
Segundo o secretário de Estado americano Marco Rubio, o Pentágono conduz uma investigação sobre o caso. Já o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, garantiu na quarta-feira (4) que as forças americanas "nunca têm civis como alvo".
O Exército israelense declarou no domingo (1°) não estar a par de nenhum ataque americano ou israelense contra uma escola. "Operamos com extrema precisão", afirmou o porta-voz militar de Israel, o tenente-coronel Nadav Shoshani, em coletiva de imprensa.
Probabilidade de um bombardeio americano
O jornal New York Times afirma que a tragédia pode ter sido causada por um bombardeio americano direcionado a uma base naval da Guarda Revolucionária situada nas proximidades. Com base em imagens de satélite, publicações em redes sociais e vídeos verificados, o jornal informou na quinta‑feira (5) que a escola foi gravemente danificada por um ataque simultâneo à ofensiva contra essa base naval adjacente, perto do estreito de Ormuz.
O diário descartou a possibilidade de que o local tenha sido atingido por um míssil iraniano. Caso se confirme "que foi uma bomba americana que atingiu a escola Shajarah Tayyebeh, uma questão provavelmente será saber se o ataque à escola foi um erro ou se ela foi alvo [do bombardeio] com base em informações desatualizadas", escreve o jornal.
Já a agência de notícias Reuters revela que duas fontes americanas, que testemunharam sob anonimato, indicaram que militares dos Estados Unidos consideram "provável" que as forças americanas sejam "responsáveis" pelo ataque que atingiu a escola. No entanto, segundo essas mesmas fontes, as investigações ainda não foram concluídas.
O jornal francês Le Monde também publicou uma matéria na quinta‑feira, confirmando a presença de menores e outras vítimas civis no bombardeio. "Crianças pequenas de fato foram mortas", escreve o diário, que afirma ter se baseado em dezenas de fotos e vídeos.
Caso seja confirmado, o ataque será o que mais causou mais vítimas no conflito até o momento.
RFI com agências