A vida de luxo no Uruguai de pupila de Berlusconi pivô de polêmica
Ex-deputada italiana Nicole Minetti teria recebido menores em mansão
A vida de luxo da ex-deputada regional da Lombardia Nicole Minetti, cujo perdão presidencial abalou a política italiana, e de seu marido, Giuseppe Cipriani, nas proximidades de Punta del Este, no Uruguai, voltou a ganhar atenção após o surgimento de rumores envolvendo o recebimento de menores na mansão do casal.
Muitas festas luxuosas e suntuosas, que se estendiam até o amanhecer e reuniam convidados VIPs ao som de músicas selecionadas por DJs mundialmente famosos, marcaram o ambiente da propriedade. No entanto, veio à tona que, ao longo dos anos, algumas crianças em situação de vulnerabilidade também teriam sido convidadas a brincar na mansão de Cipriani, acompanhadas por funcionários do Instituto Nacional da Infância e da Adolescência (INAU). Entre elas, estaria o filho adotivo do casal.
A imprensa uruguaia está hoje repleta de reportagens sobre o que teria acontecido ali, o símbolo da "Dolce Vita" com um toque sul-americano. E, à luz dos muitos mistérios que cercam o caso de adoção, começam a surgir todo tipo de dúvidas entre os moradores de Punta del Este.
Alguns se perguntam se essas visitas não passavam de brincadeiras organizadas para proporcionar momentos agradáveis a crianças desafortunadas, ou se entre esses menores poderia haver uma bela jovem atraída pelo fascínio do dinheiro e do poder.
A amizade entre Cipriani e o finado financista pedófilo Jeffrey Epstein, evidentemente, reforça esses rumores. Até agora, porém, tudo não passa de conjectura.
As autoridades do governo uruguaio também aguardam os resultados de uma investigação que está ganhando impulso lentamente e que tentará esclarecer uma história que parece assumir aspectos cada vez mais obscuros a cada dia que passa.
Ainda assim, a casa dos protagonistas é apresentada como um lugar de absoluta transparência: não há portão nem barreiras na entrada. VIPs do mundo inteiro entram nas festas para 300 pessoas na mansão de Cipriani ? ou melhor, no complexo de mansões ? atravessando uma passarela de madeira.
A entrada pela estrada de terra é marcada por uma espécie de gol de futebol, feito de duas traves e uma travessa de madeira branca. O estilo lembra um pouco o de um rancho texano, mas com um toque mediterrâneo: uma placa turquesa com a inscrição "Gin Tônica" em branco está presa à travessa por duas correntes.
Do lado de fora, o conjunto se assemelha mais a um clube de praia, com piscina e espreguiçadeiras visíveis da rua, do que a uma residência particular.
Ana, a "caseira", a governanta, vem nos receber, vestindo moletom e calças pretas, com o chapéu para trás e um grande sorriso. "Os senhores não estão aqui, já foram embora; há muitos jornalistas por perto", diz ela, educadamente.
É baixa temporada agora, mas em dezembro, no auge do verão no hemisfério sul, ser convidado para cá é quase imprenscindível para empresários, atores, modelos e celebridades ? tanto visitantes quanto residentes deste lugar que, com suas mansões milionárias e iates de sonho, é hoje conhecido mundialmente como a Miami da América Latina.
No Uruguai, incluindo Punta del Este, a prostituição é legal e regulamentada por lei desde 2002. A sugestão de que acompanhantes de luxo de várias partes do mundo frequentassem essas festas não surpreende ninguém. O que choca alguns moradores, mesmo fora da temporada, é o motivo pelo qual um dos homens mais poderosos da região, Giuseppe Cipriani, corre o risco de ser implicado nesse caso considerado sórdido.
"Ele tem um império aqui. Sempre deu as cartas. Seu novo projeto de resort é um negócio de US$ 400 milhões", dizem proprietários de bares.
De fato, Cipriani não teve dificuldades para obter licenças para construir um projeto na Playa Brava que inclui três torres, um hotel, um cassino, um centro de convenções, um estacionamento e um térreo dedicado a lojas e a um clube de praia.
A primeira torre, com 45 andares e 240 metros de altura, está em fase avançada de construção. As outras duas terão 160 e 320 metros de altura. Os boatos locais acreditam que o projeto pode sofrer alguns reveses financeiros se a investigação apresentar resultados concretos.
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