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ONU aprova resolução em apoio a mapa que mostra o verdadeiro tamanho da África

4 set 2026 - 15h14
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Resumo
A ONU aprovou uma resolução, liderada pelo Togo e apoiada por nações africanas, que incentiva a substituição da projeção de Mercator pela "Equal Earth", que retrata com maior fidelidade a escala real dos continentes e reduz a distorção colonial sobre o tamanho da África. Aprovado por 164 votos favoráveis contra um dos EUA, o texto não vinculativo busca combater desigualdades históricas, promovendo a troca de materiais didáticos e engajando empresas globais de mapas e tecnologia.

As Nações Unidas aprovaram nesta ‌sexta-feira uma mudança  do mapa-múndi de Mercator, do século 16, por um que reflita com mais precisão o tamanho real dos países -- resolução patrocinada por países africanos para combater a percepção de que o continente seja periférico.

O Togo liderou a iniciativa para dar continuidade à campanha da União ⁠Africana de limitar o uso do mapa de Mercator, que distorce o tamanho ‌relativo das massas terrestres ao ampliar aquelas mais próximas dos polos. Isso faz com que a Groenlândia pareça ter aproximadamente o mesmo tamanho ‌da África, embora a África seja cerca de ‌14 vezes maior.

"Um mundo justo começa com um mapa justo", ⁠disse à Reuters o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, antes da votação desta sexta-feira.

A resolução promove a projeção "Equal Earth", que retrata com mais precisão o tamanho dos continentes.

Ela não é juridicamente vinculante e "de forma alguma questiona o uso da projeção de Mercator para a navegação marítima e ‌aérea, para as quais ela continua sendo totalmente adequada", afirmou o ministério togolês ‌em comunicado.

A resolução foi ⁠aprovada na Assembleia ⁠Geral da ONU por 164 votos a favor, 1 contra e 6 abstenções.

Os Estados Unidos, ⁠único país a votar contra a ‌resolução, afirmaram que ela ‌promove uma "agenda ideológica" e constitui uma distração dos "problemas reais da paz internacional, da prosperidade ou das boas relações".

MAPAS NAS ESCOLAS 

O mapa de Mercator continua sendo amplamente utilizado nas salas de aula, mas o Togo ⁠espera alterar seus materiais de geografia escolar até o final do ano, disse Dussey à Reuters.

"Nas salas de aula, precisamos mudar isso para dar o exemplo a todos os países do mundo."

O Togo pressionará outros governos, escolas, organizações internacionais e empresas de ‌tecnologia a abandonarem a projeção de Mercator, que já tem séculos, disse Dussey, acrescentando que o Equal Earth oferece "a melhor percepção" do mundo.

O Togo ⁠planeja se reunir com os Estados-membros da União Africana e apoiadores de outras regiões nos próximos seis meses para chegar a um acordo sobre como promover uma adoção mais ampla, disse o ministro.

Para Dussey, a discussão sobre os próximos passos precisa incluir empresas que atuam nas áreas de mapeamento, GPS e outras tecnologias baseadas em localização.

E relaciona a campanha pela adoção do mapa aos esforços mais amplos da África para enfrentar os legados da era colonial, ao mesmo tempo em que defende não se tratar de um ataque à Europa ou a qualquer outra civilização.

O uso generalizado do mapa de Mercator é uma consequência da colonização, disse ele.

"O mundo está mudando. A África também está mudando."

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