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O conservador que tenta barrar o potencial 1º governo da AfD na Alemanha

4 set 2026 - 13h33
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Resumo
O governador conservador Sven Schulze (CDU) tenta frear o avanço do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt. Embora a AfD lidere as pesquisas com mais de 40% das intenções de voto contra 24% da situação, Schulze aposta que os extremistas não obterão maioria absoluta nem formarão coalizões para governar. Focado em temas locais e distanciando-se de líderes nacionais impopulares, ele alerta que a vitória da AfD significará o retrocesso e o isolamento do estado.

Democrata-cristão Sven Schulze tenta preservar longo domínio dos conservadores no estado da Saxônia-Anhalt, mas enfrenta crescimento de rivais da ultradireita, numa eleição que vem sendo acompanhada por toda a Alemanha."Isso ainda está longe de estar decidido", costuma repetir o conservador Sven Schulze em eventos de campanha ao governo do estado da Saxônia-Anhalt, no leste alemão. Ali a ultradireita lidera com folga as pesquisas às vésperas do pleito, marcado para o próximo domingo (06/09).

O governador da Saxônia-Anhalt, Sven Schulze, durante um evento de campanha eleitoral nos arredores de Magdeburgo
O governador da Saxônia-Anhalt, Sven Schulze, durante um evento de campanha eleitoral nos arredores de Magdeburgo
Foto: DW / Deutsche Welle

Schulze não é qualquer político: ele é governador pela União Democrata Cristã (CDU), mesmo partido do chanceler federal, Friedrich Merz, que lidera o governo da Saxônia-Anhalt desde 2002.

Sua sigla tem figurado em segundo lugar nas sondagens com, no máximo, 24% das intenções de voto — muito atrás dos rivais de ultradireita do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que supera os 40% com o candidato Ulrich Siegmund.

Por esse motivo, a opinião pública alemã e também a imprensa internacional acompanham essa eleição com grande expectativa: em nenhum outro estado alemão a AfD, conhecida por suas bandeiras anti-imigração, tem chances tão altas de assumir um governo.

E no caso da Saxônia-Anhalt há uma particularidade: o diretório estadual da AfD é classificado pelas autoridades regionais de proteção da Constituição como uma organização extremista de direita.

"Estamos lutando por cada eleitor"

Schulze aposta que a AfD não conquistará a maioria absoluta das cadeiras no Parlamento estadual nem conseguirá arregimentar outros partidos para formar um governo de coalizão no estado de cerca de 2,1 milhões de habitantes.

Seria a chance de ouro do conservador. "Estamos lutando por cada eleitor", disse ele em conversa com a DW no início de agosto.

Schulze tinha apenas dez anos quando o muro que dividia a Alemanha caiu, em 1989, pondo fim à antiga Alemanha Comunista onde ele cresceu. No ano seguinte, a Saxônia-Anhalt foi reunificada com o restante da Alemanha.

Aos 47 anos, o engenheiro econômico e pai de três filhos é o mais jovem dos 16 governadores da Alemanha.

Ele assumiu o cargo no fim de janeiro, sucedendo o correligionário Reiner Haseloff, que ocupou a cadeira de governador por quase 15 anos.

A troca de bastão foi parte de um esforço para melhorar as chances de Schulze e da CDU junto ao eleitorado.

O conservador suou na campanha. Literalmente: em alguns dias, circulou de bicicleta, usando camiseta esportiva e capacete. Em outros, distribuiu sorvetes em meio ao calor do verão europeu e conversou com pequenos grupos de eleitores.

Apoio de humorista polêmico

Uma de suas mensagens recorrentes é que não está ali para "vender temas de Berlim para a Saxônia-Anhalt", e sim "levar os temas da Saxônia-Anhalt para Berlim". Isso nem sempre agrada a todos na capital.

Isso ficou particularmente evidente depois que Schulze fez eventos de campanha ao lado do famoso humorista e ator alemão nonagenário Dieter Hallervorden, natural da cidade de Dessau, na Saxônia-Anhalt.

No mundo da cultura, a cidade é famosa pelo movimento Bauhaus, que, a partir de 1919, impulsionou a arte e a arquitetura modernas. Os nazistas estrangularam o projeto já em 1933. Mais de 90 anos depois, a AfD quer pôr fim também às políticas de valorização da memória e da tradição da Bauhaus em Dessau.

Por isso, Hallervorden - que, politicamente, é tudo menos um aliado clássico da CDU - subiu ao palco com Schulze durante a campanha eleitoral. Os auditórios ficaram lotados, e os eventos estavam entre os mais concorridos da campanha eleitoral pela CDU. Nessas ocasiões, o artista também criticou aatual política de defesa e rearmamento do governo federal. Durante uma apresentação musical do humorista, apareceu brevemente ao fundo uma imagem de uma manifestação com a frase: "Parem o genocídio em Gaza".

Schulze rejeitou com tranquilidade, mas de forma clara, as duras críticas vindas da cúpula nacional da CDU. Segundo ele, o fato de dividir o palco com Hallervorden e, ainda assim, não compartilhar suas opiniões, chegando inclusive a rejeitar parte delas, representa a liberdade de expressão, algo que considera muito importante."A AfD quer abolir a liberdade de expressão. Eu não."

Críticas à AfD

Em entrevista à DW, Schulze acusou a AfD de querer retornar aos tempos de falta de liberdade e isolamento que fizeram parte do cotidiano da Saxônia-Anhalt até 1989: "Quando a AfD canta o hino da RDA [República Democrática da Alemanha] no final de seus eventos partidários, sso mostra claramente que quer voltar aos tempos da Alemanha Oriental. E eu não quero que voltemos a nos cercar de muros, como já aconteceu aqui no passado. As pessoas não querem isso. Eu não quero isso."

Em eventos grandes e pequenos, tenta direcionar o debate das questões nacionais e internacionais para a realidade da Saxônia-Anhalt. Ele cita empresas da região que dependem de trabalhadores estrangeiros e das exportações para o mercado global. Na área da saúde e dos cuidados a idosos, alerta contra a adoção automática, sem debate, das recomendações apresentadas por uma comissão criada pelo governo federal.

Impopular Friedrich Merz ausente da campanha

Mesmo no tema da aposentadoria, considerado uma das questões mais importantes do atual debate político alemão, Schulze se posiciona ao lado de outros dois governadores do leste do país: Michael Kretschmer, da Saxônia, e Mario Voigt, da Turíngia.

Os três têm menos de 50 anos e pertencem à nova geração de líderes da CDU. Com chanceler federal Friedrich Merz sofrendo com impopularidade em toda a Alemanha, o governador Schulze tratou de esconder o líder alemão da sua campanha. Apenas na reta final, nesta semana, Merz fez duas breves visita ao estado, aparecendo ao lado de Schulze durante uma visita a uma catedral e a uma fábrica.

Até o dia da votação, Schulze pretende continuar falando sobre os temas que preocupam os moradores do seu estado. "Eu confio nas pessoas daqui", declarou à DW. Ele aposta que os eleitores defenderão uma Saxônia-Anhalt que não seja "virada de cabeça para baixo". Segundo ele, o estado precisa continuar integrado e manter uma orientação europeia.

Às vezes, ele resume a disputa eleitoral de forma direta: "É Sven Schulze ou a AfD."

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