Número de mortos em ataque a mercado no Sudão sobe para 153
Estimativa das autoridades é de aumento no balanço de vítimas
Um ataque com drones atribuído ao Exército sudanês matou ao menos 153 pessoas, incluindo mulheres, crianças e refugiados, em um mercado movimentado na região disputada de Abyei. O bombardeio com dezenas de munições provocou forte reação diplomática do Sudão do Sul e ocorre em meio à violenta guerra civil sudanesa iniciada em 2023, que já causou severa crise humanitária e instabilidade na fronteira entre os dois países. Autoridades locais alertam que o número de vítimas fatais deve subir.
Um ataque com drones atribuído ao Exército sudanês na segunda-feira (19) matou ao menos 153 pessoas em um mercado no distrito de Abyei, região disputada pelo Sudão e pelo Sudão do Sul.
No entanto, segundo relatos de uma autoridade nesta quarta (21), o balanço de vítimas "provavelmente aumentará".
De acordo com a administração de Abyei, os militares lançaram "22 munições no coração de uma área comercial muito movimentada". O ataque foi registrado na cidade de Al-Dibab e teve como alvo o mercado de Amiet.
No primeiro balanço, divulgado ontem, foram confirmados 53 mortos e 27 feridos graves. Entre as vítimas estão "populações civis vulneráveis, entre elas mulheres, crianças, idosos, comerciantes locais e refugiados sudaneses que haviam buscado abrigo contra o conflito regional".
Tanto o Sudão quanto o Sudão do Sul reivindicam Abyei. O país vizinho conquistou sua independência em 2011, após décadas de conflito, mas a disputa pela região permanece sem solução.
A área também é palco de conflitos envolvendo o Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte, uma dissidência do movimento que lutou pela independência de Juba. O grupo se dividiu em duas facções, cada uma alinhada a um dos lados da guerra em curso no Sudão.
O Sudão do Sul convocou o embaixador sudanês após acusar os militares do Sudão de atacar pontos de um mercado em Abyei.
O episódio ocorre em meio à guerra entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido, iniciada em abril de 2023, que provocou uma grave crise humanitária, com mortes em massa, deslocamentos e insegurança alimentar.
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