Nova versão do plano de paz dos EUA para Ucrânia está em discussão em Abu Dhabi
Após o ultimato da Casa Branca ordenando que a Ucrânia assinasse um plano de paz de 28 pontos amplamente favorável à Rússia, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou avanços durante discussões entre ucranianos, americanos e europeus, convocadas com urgência no domingo em Genebra. Negociações paralelas em Abu Dhabi também podem resultar em uma nova versão do documento.
O plano de paz de 28 pontos, inicialmente proposto pela Casa Branca, foi percebido por muitos observadores como uma submissão da Ucrânia diante da maioria das exigências do Kremlin. Alguns parlamentares americanos, incluindo republicanos, chegaram a se surpreender com as palavras usadas no documento, sugerindo que se tratava de um plano de paz escrito por e para os russos.
O senador republicano de Dakota do Sul, Mike Rounds, afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia indicado, durante uma reunião bipartidária, que esse plano era apenas "uma proposta" e que "a outra parte (a Ucrânia) tem a possibilidade de respondê-lo", assegurou.
Ultimato a Kiev ainda é atual
Diante das críticas, Marco Rubio assegurou que o plano havia sido de fato elaborado pelos Estados Unidos. Segundo a imprensa americana, o plano seria fruto de reuniões secretas entre o genro de Trump, Jared Kushner, Steve Wittkoff e Kirill Dmitriev, um empresário muito próximo de Vladimir Putin, que teriam se encontrado várias vezes no final de outubro em Miami, deixando a Ucrânia fora das negociações.
Apesar de Trump ter dado um ultimato a Kiev, dando-lhe até 27 de novembro para assinar seu plano de paz, a situação parece ter mudado. Marco Rubio qualificou o plano que vazou na semana passada como "documento em evolução". E na segunda-feira, ele parecia ter mudado novamente, após dois dias de negociações entre autoridades americanas e ucranianas em Genebra.
Na Suíça, Zelensky saudou avanços e declarou que essas discussões haviam reduzido o plano americano para menos de 28 pontos e que "muitos elementos relevantes foram levados em conta". Um responsável da Casa Branca indicou que alguns pontos-chave da proposta foram revisados após as conversas em Genebra, incluindo as estipulações do plano inicial que teriam obrigado a Ucrânia a reduzir seu exército para 600 mil homens, ceder território à Rússia e limitar a presença das tropas da Otan na Ucrânia.
Um novo plano em 19 pontos?
Paralelamente às discussões em Genebra, reuniões sobre a Ucrânia entre americanos e russos também continuam nesta terça-feira em Abu Dhabi, informaram na terça-feira veículos de mídia americanos e britânicos.
Segundo, entre outros, o canal americano ABC News e o jornal britânico Financial Times (FT), o secretário americano do Exército, Dan Driscoll, lidera a delegação americana. O FT também afirma, com base em duas fontes próximas às discussões, que o chefe dos serviços de inteligência militar ucraniano (GUR), Kyrylo Boudanov, está presente nas conversas. O jornal indica que não é possível precisar se se trata de discussões tripartites ou encontros separados.
Segundo o FT e o canal ABC, as discussões agora se concentram em um plano de 19 pontos. A ABC indica que, entre os pontos removidos, estão o tamanho futuro do Exército ucraniano e a anistia de princípio concedida às partes do conflito.
Rubio se diz "muito otimista"
O presidente americano, de qualquer forma, pareceu se alegrar na segunda-feira com o resultado do encontro em Genebra.
"É realmente possível que grandes avanços sejam feitos nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia??? Não acredite apenas no que vê, mas algo de bom pode realmente acontecer", escreveu ele em sua rede Truth Social.
Em Genebra, Marco Rubio, por sua vez, disse estar "muito otimista" quanto à possibilidade de concluir "muito rapidamente" um acordo.
"Os pontos que permanecem em aberto não são intransponíveis."
Durante uma conversa telefônica na segunda-feira entre Vladimir Putin e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o líder russo reiterou que o plano inicial dos Estados Unidos poderia "servir de base para um acordo de paz final".
Europeus se reúnem
Com os planos propostos pelos EUA em discussão, líderes europeus se reúnem em videoconferência nesta terça-feira (25) para tratar do tema. A "Coalizão dos Voluntários", grupo de aliados próximos de Kiev, afirmou que garantias de segurança "robustas" para a Ucrânia são essenciais para a paz.
O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que "não há hoje, claramente, nenhuma vontade por parte da Rússia de estabelecer um cessar-fogo", pedindo que se "continue pressionando" a Rússia para que ela negocie, acrescentando que Moscou também não demonstrou "vontade de discutir" o projeto de plano americano para a Ucrânia, modificado após as discussões entre americanos, ucranianos e europeus no último fim de semana em Genebra.
RFI e agências