Nova troca de prisioneiros entre EUA e Rússia sinaliza aquecimento de relações entre os dois países
Washington e Moscou concluíram, na quinta-feira (10), a segunda troca de prisioneiros desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, um novo sinal de aquecimento das relações entre as duas potências iniciado pelos Estados Unidos.
Washington e Moscou concluíram, na quinta-feira (10), a segunda troca de prisioneiros desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, um novo sinal de aquecimento das relações entre as duas potências iniciado pelos Estados Unidos.
Esse intercâmbio ocorre enquanto novas discussões entre Rússia e EUA aconteceram em Istambul, na Turquia.
A russo-americana Ksenia Karelina chegou de avião à base militar de Andrews, nos arredores de Washington, por volta das 23h pelo horário local. Seu companheiro, o boxeador sul-africano Chris van Heerden, a aguardava. Ao recebê-la, ele aplaudiu, disse "bem-vinda de volta à casa" antes de beijá-la.
Ksenia, de 33 anos, foi condenada a 12 anos de prisão na Rússia em 2024 sob acusação de "traição" por ter doado US$ 50 a uma organização ucraniana. Ela foi posteriormente libertada em Abu Dhabi, como parte de uma troca pelo germano-russo Arthur Petrov.
Petrov era acusado pela justiça americana de apoiar o esforço de guerra russo na Ucrânia, exportando ilegalmente componentes eletrônicos.
O presidente Donald Trump comemorou a troca, afirmando na quinta-feira, após reunião de seu Conselho de Ministros: "Ela agora está fora e isso é uma coisa boa." Ele ainda acrescentou: "Esperamos que possamos chegar a um acordo relativamente rápido com a Rússia e a Ucrânia para acabar com os combates. Isso não faz sentido."
O advogado de Ksenia Karelina, Mikhail Mouchaïlov, foi o primeiro a anunciar a "troca".
Depois, os serviços de segurança russos (FSB) confirmaram, em comunicado citado pelas agências russas, que "o cidadão russo Arthur Petrov está de volta a casa", após "ter sido trocado pela cidadã americana Ksenia Karelina".
O FSB divulgou um vídeo mostrando os dois ex-prisioneiros subindo a bordo de aviões.
"Desescalada"
A troca foi negociada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, e um alto oficial de Inteligência russo.
"Embora estejamos decepcionados que outros americanos ainda sejam mantidos injustamente na Rússia, consideramos essa troca como um passo positivo e continuaremos trabalhando para a liberação deles", declarou um porta-voz da CIA.
Esse é a segunda troca desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro, quando ele impulsionou, com seu colega Vladimir Putin, uma aproximação entre os dois países.
As duas potências concordaram em revisar suas relações bilaterais, fortemente deterioradas por anos de tensões, exacerbadas pela ofensiva russa contra a Ucrânia desde 2022.
Após vários encontros bilaterais, conversas entre russos e americanos sobre suas missões diplomáticas ocorreram na quinta-feira em Istambul, no consulado russo.
Os Estados Unidos renovaram suas preocupações com as regras que proíbem o pessoal local de trabalhar em sua embaixada em Moscou, de acordo com o Departamento de Estado.
As partes também tentaram formalizar um acordo sobre o acesso bancário dos diplomatas dos dois países, apesar das sanções americanas contra a Rússia, conforme a mesma fonte.
US$ 50
Ksenia Karelina, nascida em 1991 e que se apresenta como esteticista no Instagram, foi presa enquanto visitava sua família na Rússia.
De acordo com a justiça russa, o dinheiro que ela foi acusada de ter doado a uma organização ucraniana teria sido utilizado para "comprar equipamentos médicos, armas e munições para as forças armadas ucranianas".
Karelina, que vive na Califórnia, sempre negou as acusações da justiça russa.
Por outro lado, Arthur Petrov, com dupla nacionalidade alemã e russa, foi acusado pela justiça americana de exportar ilegalmente componentes eletrônicos para a Rússia com fins militares, violando as sanções americanas contra Moscou relacionadas ao conflito na Ucrânia.
De acordo com Washington, Petrov possuía uma empresa de fachada em Chipre, onde foi preso em agosto de 2023, antes de ser extraditado para os Estados Unidos.
Em meados de fevereiro, após uma primeira ligação entre Vladimir Putin e Donald Trump, Kalob Wayne Byers, um americano preso em um aeroporto de Moscou por transportar doces com cannabis, foi libertado, aparentemente sem contrapartida.
No início de fevereiro, Washington e Moscou trocaram o professor americano Marc Fogel por um especialista russo em informática, Alexander Vinnik.
Vários americanos continuam presos na Rússia, e Washington denuncia essas prisões como "sequestros" para conseguir a libertação de russos - incluindo supostos espiões - presos no Ocidente.
A porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, exortou Moscou a "liberar Stephen Hubbard", um americano septuagenário preso há três anos e acusado de ser um "mercenário" a serviço da Ucrânia.
(Com AFP)