Nepal tem fuga em massa de detentos após levante
Mais de 13,5 mil presidiários ganharam as ruas em meio ao caos
Mais de 13,5 mil detentos fugiram das prisões no Nepal durante os protestos antigovernamentais que forçaram a renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli na última terça-feira (9), causando a morte de ao menos três policiais.
O Exército nepalês assumiu a responsabilidade para conter o caos no país diante do pior ato de violência dos últimos 20 anos e impôs, a partir desta quarta (10), medidas restritivas de segurança e um toque de recolher em toda a nação com início às 17h.
Um comunicado informou ainda que "qualquer forma de manifestação, vandalismo, incêndio criminoso ou agressão a pessoas ou propriedades será considerada atividade criminosa".
Segundo o exército, "essas medidas são necessárias para prevenir incidentes causados pela agitação" nacional, que inclui ainda "riscos de estupros e ataques violentos contra indivíduos". Além disso, enquanto a medida estiver em vigor, "somente veículos destinados a serviços essenciais poderão circular".
Nesta quarta, os militares também retomaram o controle da capital nacional, Kathmandu.
O chefe do Exército local, general Ashok Raj Sigdel, realizou "consultas com as partes interessadas e uma reunião com representantes da Geração Z", informou o porta-voz da força armada, Rajaram Basnet, referindo-se ao nome genérico dos jovens manifestantes, mas sem fornecer mais detalhes.
Já Sushila Karki, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e vista por muitos como uma potencial líder interina, declarou que o diálogo entre as partes era crucial.
"Os especialistas precisam se unir para encontrar um caminho a seguir. O Parlamento ainda está de pé", afirmou.
Ontem, o então premiê Oli renunciou ao cargo na esteira dos protestos contra o bloqueio às redes sociais no país, mas a medida não serviu para aplacar a ira dos manifestantes, que incendiaram a sede do Parlamento e invadiram casas de políticos.
Os ataques causaram a morte da esposa de um ex-primeiro-ministro quando sua residência foi incendiada. Já na segunda-feira (8), ao menos 19 pessoas morreram em meio aos protestos.
Os atos tiveram como estopim o bloqueio de mais de 20 redes sociais no Nepal, incluindo Facebook, YouTube e X, que não teriam cumprido a determinação do governo de se registrar no país e nomear representantes locais. A medida foi revogada pelo gabinete de Oli, mas as manifestações também abarcaram a insatisfação popular com a corrupção e a pobreza generalizadas no antigo reino nas montanhas do Himalaia.
A onda de protestos também levou à renúncia dos ministros Pradeep Yadav (Abastecimento Hídrico), Ram Nath Adhikari (Agricultura) e Ramesh Lekhak (Interior).