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Mundo Árabe

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Tunísia: calma retorna a Túnis após enfrentamentos

29 jan 2011 - 10h43
(atualizado às 13h11)
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A capital da Tunísia amanheceu mais calma neste sábado, após os violentos enfrentamentos entre batalhões de choque da polícia e centenas de manifestantes que faziam uma vigília ao redor da esplanada dos ministérios.

Protestos na Tunísia levaram o país a crise política
Protestos na Tunísia levaram o país a crise política
Foto: AFP

A Kasbah, que durante cinco dias foi o foco dos protestos contra o governo de transição do primeiro-ministro Mohamed Ghanuchi, foi cercada pelos militares depois da expulsão dos manifestantes que exigiam sua renúncia. Para os moradores do bairro, a sensação era de alívio.

"As aulas vão recomeçar no colégio, isto é importante", disse Hocin, que levava a filha de 9 anos para a escola. "Agora, temos tecnoatas competentes para organizar as eleições", afirmou, referindo-se à reformulação do gabinete de transição anunciada por Ghanuchi.

"Basta!", exclamou um comerciante, que finalmente pôde abrir sua loja na manhã deste sábado.

Na noite de sexta-feira, os próprios comerciantes ajudavam a polícia a perseguir os últimos manifestantes que ainda circulavam pela avenida Habib Burguiba e por suas ruas adjacentes.

"Nós não os queremos aqui. Eles não vieram se manifestar, vieram causar destruição. E se as lojas não abrem, como vamos comer?", indagou Nizar, morador do centro, que admitiu ter colaborado com a polícia.

"Mesmo que tudo ainda não esteja terminado, é o fim do movimento", estimou por sua vez a estudante Ghaya el Muna, de 20 anos, que ao lado da irmã faz fila em uma loja de roupas da Habib Burguiba, que neste sábado amanheceu com vitrines anunciando descontos e liquidações para atrair os clientes.

Em uma entrevista transmitida na sexta-feira, o primeiro-ministro estimou que "os dois desafios essenciais que a Tunísia enfrenta são a transição democrática e a reativação da atividade econômica".

Alvo dos massivos protestos dos últimos dias, Ghanuchi formou um novo gabinete provisório na quinta-feira, expurgando - como pediam os manifestantes - os reminiscentes do regime do presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali, que fugiu do país no dia 14 de janeiro.

A Tunísia precisa de "uma rica experiência em matéria de transição democrática, (mas) tem a obrigação de superar este desafio político", afirmou o premiê.

O país conta com "todos os meios necessários para realizar com sucesso esta transição democrática, que permitirá a todos os tunisianos, de todas as correntes políticas, expressarem-se com total liberdade e eleger seu dirigente após esta fase transitória", destacou Ghanuchi, que ocupa o cargo há 11 anos.

Além disso, insistiu na necessidade de uma rápida recuperação da economia tunisiana, e ressaltou que, apesar da "conjuntura difícil", as redes de eletricidade e comunicações não chegaram a ser cortadas durante as manifestações.

Neste sábado, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) declarou que o governo interino deveria investigar "urgentemente" as mortes de manifestantes durante a rebelião popular que derrubou Ben Ali.

"As coisas estão avançando rapidamente na Tunísia, mas apurar quem abriu fogo contra os manifestantes e por que não pode esperar", afirmou Eric Goldstein, diretor da ONG para o Oriente Médio e o Norte da África, que está em Túnis. "As unidades e comandantes responsáveis por estes assassinatos, que ao que tudo indica foram ilegais, devem ser identificados e processados", insistiu.

De acordo com informações divulgadas pelo gabinete de transição, pelo menos 78 pessoas morreram na chamada "Revolução de Jasmim<". A ONU, no entanto, afirma que este número chega a 100.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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