Irã desmente declarações de Trump e exclui qualquer assinatura de acordo com os EUA nas próximas 24 horas
As versões de um possível acordo apresentadas pela imprensa iraniana e por Washington divergem após semanas de negociações difíceis
O presidente Donald Trump mencionou, na quinta-feira, 11, a possível assinatura de um acordo-quadro já "neste fim de semana" para pôr fim à guerra contra o Irã. Atuando como mediador entre o Irã e os Estados Unidos, o Paquistão afirmou, neste sábado, 13, que o acordo seria "provavelmente" finalizado em 24 horas. Mas Teerã desmentiu esse cronograma.
As versões de um possível acordo apresentadas pela imprensa iraniana e por Washington divergem após semanas de negociações difíceis. Segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna, o Irã descartou, neste sábado, qualquer assinatura nas próximas 24 horas de um protocolo de acordo com os Estados Unidos para encerrar de forma duradoura a guerra no Oriente Médio.
"Devemos esperar para conhecer a data exata da assinatura. Não será amanhã" (domingo, 14 de junho), declarou à Irna o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, projetando, em vez disso, "os próximos dias".
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, já havia ressaltado que, "enquanto um acordo completo não for concluído, (...) não se poderá afirmar com certeza que um terreno comum foi encontrado".
No entanto, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo governo atua como mediador entre o Irã e os Estados Unidos para encerrar o conflito, havia afirmado, mais cedo, que um acordo de paz seria "provavelmente" finalizado nas próximas 24 horas.
Na sexta-feira, 12, os dois lados também haviam deixado entrever uma saída. "Assim que as etapas finais de nossas negociações forem concluídas, este acordo será assinado e anunciado", declarou o chanceler iraniano. "Isso pode acontecer nos próximos dias. Estou esperançoso."
Segundo ele, o compromisso previa o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos e uma nova gestão do estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos, controlada por Teerã desde o início do conflito.
Trump sob pressão
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump está sob pressão para sair de uma guerra impopular, diante da proximidade das eleições de meio de mandato de novembro e em plena Copa do Mundo de futebol co-organizada por seu país.
Na sexta-feira, o chefe da Casa Branca criticou o Irã em sua rede Truth Social e acusou o país de ter vazado informações sobre o acordo que "não têm NADA a ver com os termos (...) acordados por escrito".
A agência de notícias iraniana Mehr publicou o que apresentou como um rascunho de protocolo de 14 pontos, no qual eram atendidas uma série de exigências iranianas, como o direito ao enriquecimento de urânio e a liberação de 24 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior.
(Com agências)
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