Itália afirma que fim de governo Kadafi é "inevitável"
27 fev2011 - 11h05
(atualizado às 12h15)
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O fim do governo do líder líbio Muammar Kadafi é "inevitável", disse neste domingo o ministro das Relações Exteriores da Itália - seu mais próximo aliado europeu -, Franco Frattini.
'Morrerei como um mártir', diz Kadafi em discurso na TV:
O chanceler também afirmou que o tratado de cooperação e amizade entre Líbia e Itália estava "suspenso". "Chegamos a um ponto, acredito, que não há retorno", declarou Frattini à televisão Sky Italia.
Questionado se Kadafi deveria deixar o poder, ele disse: "é inevitável que isso há acontecer".
Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.
Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.
Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.
Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.
O Coronel Muamar Kadafi discursa em 1969, ano em que destronou o rei Idris instaurou a era republicana da Líbia em nome de "Liberdade, Socialismo e Unidade"
Foto: AFP
A 27 de setembro de 1969 - 26 dias após o golpe de Estado -, Kadafi discursa já como Presidente do Conselho da Revolução Líbia
Foto: AFP
Em dezembro de 1969, Kadafi - já líder da Líbia - e o então presidente egípcio, Gamal Nasser, chegam em Rabat, no Marrocos, para conferência da Cúpula Árabe
Foto: AFP
Em 1970, Kadafi é recepcionado pelo presidente libanês Chalres Halou, em sua chegada a Beirute
Foto: AFP
Em 1972, Kadafi discursa pelas comemorações dos 20 anos da revolução de 1952, quando o país alcançou a independência das presenças britânica e francesa
Foto: AFP
Retrato de Kadafi de 1973, quando participou de histórico encontro dos países não-alinhados à bipolaridade da Guerra Fria, realizado na Algéria, do qual participaram 76 nações africanas, asiáticas e latinas
Foto: AFP
Reunião em Uganda, em 1975, mostra o ditador local, Idi Amin Dada, sentado ao lado de Kadafi
Foto: AFP
Kadafi participa de cúpula da Organização para a Unidade Africana em Campala, Uganda, em 1975
Foto: AFP
Em 1978, Kadafi e o então líder palestino, Yasser Arafat, assistem a desfile militar em Trípoli
Foto: AFP
Kadafi faz revista das tropas em visita a Dakar, Senegal, em 1985
Foto: AFP
Em 1988, o então presidente tunisiano Ben Ali e o líder líbio Muamar Kadafi ouvem seus hinos nacionais no aeroporto da Tunísia
Foto: AFP
Kadafi observa tropas em visita ao Senegal, em 1985
Foto: AFP
Kadafi fala a jornalistas em Trípoli, em 1986, em encontro do "Alto Comando das Forças Revolucionárias da Nação Árabe"
Foto: AFP
Imagem de televisão mostra Kadafi acompanhado pelo presidente Idriss Deby, no Tchad, em 1997
Foto: AFP
Kadafi responde a perguntas de jornalistas em 1990, no momento em que ele ameaça tirar a Líbia das Nações Unidas em razão de uma polêmica com militares dos Estados Unidos no Golfo
Foto: AFP
Kadafi conversa com Nelson Mandela em 1999, durante passeata em Trípoli
Foto: AFP
Kadafi saúda tropas durante desfile militar de 1999, em Trípoli, em homenagem aos 30 anos da revolução de 1969, na qual o líder subiu ao comando da Líbia
Foto: AFP
Kadafi discursa no parlamento da Jordânia, em 2000, criticando as mortes que então ocorriam, supostamente em nome do fundamentalismo islâmico
Foto: AFP
Kadafi fala a jornalistas na cidade líbia de Bab al-Aziziya, em 1998
Foto: AFP
Kadafi participa de oração na cidade de Syrte, em 2002
Foto: AFP
Kadafi ouve discursos de líderes em Moçambique, na cúpula da União Africana de 2003
Foto: AFP
Kadafi fuma um cigarro americano durante cúpula da Liga Árabe de 2004, na Tunísia
Foto: AFP
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, dá aperto de mão caloroso em Kadafi, durante encontro bilateral em Trípoli, em 2004
Foto: AFP
Em 2007, Kadafi gesticula sinal de positivo durante comemoração do 21º aniversário do ataque dos Estados Unidos à Líbia
Foto: AFP
Em 2007, o presidente francês Nicholas Sarkozy recepciona Kadafi para encontro no Palácio de Paris
Foto: AFP
Kadafi chega à Assembleia Nacional Francesa, em dezembro de 2007; parlamentares franceses oposicionistas se fizeram ausentes em protestos contra o governo do líder líbio
Foto: AFP
Durante visita de 2007 à França, Kadafi visita o Museu do Louvre e posa para foto ao lado da estátua da Vênus de Milo
Foto: AFP
No seu tour francês de 2007, Kadafi visita o Palácio de Versalhes
Foto: AFP
Em visita de 2009 à Itália, Kadafi participa de conferência de imprensa no palácio presidencial de Roma
Foto: AFP
Kadafi manda beijos para uma plateia de 700 mulheres após palestra proferida em Roma
Foto: AFP
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