MSF afirma que não compartilhará informações sobre funcionários exigidas por Israel para acessar Gaza
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras anunciou na sexta-feira que não apresentará as listas de funcionários exigidas por Israel para manter o acesso a Gaza e Cisjordânia, após não ter recebido garantias quanto à segurança de suas equipes.
MSF, que apoia e ajuda hospitais na Faixa de Gaza, é uma das 37 organizações internacionais que Israel ordenou este mês que interrompam o trabalho nos territórios palestinos, a menos que cumpram novas regras, incluindo o fornecimento de detalhes sobre os funcionários.
Os grupos de ajuda humanitária afirmam que o compartilhamento dessas informações sobre os funcionários pode representar um risco à segurança. Centenas de trabalhadores humanitários foram mortos ou feridos durante a guerra em Gaza.
O Ministério da Diáspora de Israel gerencia o processo de registro. Em uma declaração à Reuters, o ministério acusou o Hamas de ter exercido pressão sobre a MSF.
Não apresentou provas, mas citou uma nota do Ministério da Saúde de Gaza, de 29 de janeiro, que rejeitou a partilha de dados dos profissionais de saúde que trabalham com instituições de saúde parceiras devido a preocupações com a segurança pessoal dos trabalhadores.
O ministério afirmou que a MSF não havia entrado em contato com ele.
Israel afirmou anteriormente que os registros tinham como objetivo evitar o desvio de ajuda por grupos armados palestinos. As agências de ajuda humanitária contestam que tenha havido um desvio substancial de ajuda.
A MSF disse na semana passada que estaria disposta a compartilhar uma lista parcial dos funcionários palestinos e internacionais que concordaram em divulgar essas informações, desde que a lista fosse usada apenas para fins administrativos e não colocasse sua equipe em risco. Ela também disse que queria manter o controle sobre a gestão dos suprimentos médicos humanitários.
"No entanto, apesar dos esforços repetidos, ficou evidente nos últimos dias que não conseguimos estabelecer um compromisso com as autoridades israelenses sobre as garantias concretas necessárias", acrescentou a MSF em comunicado.
A organização afirmou que poderia haver um impacto devastador nos serviços humanitários se fosse proibida de operar em Gaza e na Cisjordânia.