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MP na Noruega pede mais de 7 anos de prisão para filho de princesa acusado de estupros

A Promotoria norueguesa pediu, nesta quarta-feira (18), uma pena de sete anos e sete meses de prisão para Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, julgado por estupros e agressões a quatro mulheres. O caso abala gravemente a imagem da monarquia do país.

18 mar 2026 - 12h09
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Vestido com jeans e uma camisa polo azul de mangas curtas, deixando à mostra suas tatuagens, Høiby, de 29 anos, permaneceu impassível ao ouvir a pena solicitada contra ele.

Desenho divulgado pelo Tribunal de Oslo mostra Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette‑Marit, durante o terceiro dia de seu julgamento, em 5 de fevereiro de 2026.
Desenho divulgado pelo Tribunal de Oslo mostra Marius Borg Hoiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette‑Marit, durante o terceiro dia de seu julgamento, em 5 de fevereiro de 2026.
Foto: AFP - ANE HEM / RFI

"O estupro pode deixar sequelas duradouras e destruir vidas", argumentou o promotor Sturla Henriksbø no penúltimo dia do julgamento no tribunal de Oslo. "Pode ser algo que a vítima carregue por toda a vida", justificou.

Høiby, filho de uma relação de sua mãe anterior ao casamento com o príncipe herdeiro Haakon, não é formalmente membro da família real norueguesa. Ele permanece sob custódia durante o julgamento, no qual enfrenta 40 acusações que podem totalizar 16 anos de prisão.

O filho da princesa herdeira admite alguns atos, mas nega as acusações mais graves. Entre eles, estão os supostos estupros de quatro mulheres que não tinham condições de reagir.

Relações sexuais sem consentimento

A polícia norueguesa prendeu Høiby em 4 de agosto de 2024, suspeito de agredir sua companheira na noite anterior. Após confiscar telefones e computadores, foram encontrados filmes e vídeos que documentavam os supostos crimes pelos quais foi acusado.

Segundo a Promotoria, as quatro supostas vítimas de agressão sexual não sabiam que haviam sido estupradas até a polícia lhes mostrar as imagens e explicar a natureza potencialmente criminosa delas. Os estupros teriam ocorrido após noites de festa, durante as quais Høiby supostamente consumiu álcool e drogas, e após relações sexuais consensuais. 

Uma destas supostas agressões teria ocorrido no porão da residência do príncipe Haakon e da princesa Mette-Marit, enquanto o casal estava em casa. Durante o julgamento, Høiby alegou que todas as relações sexuais foram consensuais e que ele não tinha o hábito de fazer sexo com pessoas adormecidas.

Em sua declaração final, Sturla Henriksbø descreveu Høiby como alguém "que acredita ter direito a tudo" e que não se preocupa em consultar suas parceiras sexuais "quando elas adormecem". Segundo o promotor, o filho da princesa herdeira é um homem "propenso a acessos de raiva e ciumento". 

Sob o efeito de substâncias, Høiby se torna ainda mais violento, reiterou Sturla Henriksbø, que ouviu das vítimas relatos de estrangulamento, espancamentos e cusparadas". "Ele pode perder o controle, gritar, atirar telefones, até facas, socar paredes", indicou o promotor.

Ainda assim, Sturla Henriksbø avalia que "Marius Borg Høiby não é um monstro". "Nenhum de nós é. Somos todos seres humanos, com qualidades boas e ruins. Ele não deve ser julgado por quem ele é, mas pelo que fez", enfatizou.

"Pressão da mídia"

Na última sexta-feira (13), o filho da princesa desabou em lágrimas ao falar da "pressão da mídia" que, segundo ele, o "apagou como pessoa". "Não sou mais Marius, sou um monstro. Tornei-me alvo de todo o ódio da Noruega", lamentou.

Além dos estupros e agressões, o filho da princesa herdeira também é acusado de transportar 3,5 quilos de maconha, fazer ameaças, violar ordens de restrição, danificar propriedade, invadir privacidade e cometer infrações de trânsito. Seu comportamento durante o julgamento também chamou atenção, quando foi visto frequentemente desenhando, mascando chiclete ou usando tabaco.

Após a declaração da Promotoria, os representantes das supostas vítimas se pronunciarão e, em seguida, a defesa apresentará suas alegações finais na quinta-feira (19). O veredicto deve demorar várias semanas ou até meses para ser anunciado.

Com informações da AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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