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MP exclui racismo em ataque a atleta italiana

Daisy Osakue foi atingida por ovo atirado de carro em movimento

31 jul 2018 - 10h39
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O Ministério Público de Turim excluiu nesta terça-feira (31) a hipótese de racismo no ataque contra a atleta italiana Daisy Osakue, que tem origem nigeriana e foi atingida no olho por um ovo atirado de um carro em movimento.

Daisy Osakue levou ovada no olho enquanto voltava para casa
Daisy Osakue levou ovada no olho enquanto voltava para casa
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O caso ocorreu na madrugada da última segunda-feira (30), em Moncalieri, na região metropolitana de Turim, em meio a uma onda de agressões motivadas por racismo na Itália. No entanto, o Ministério Público decidiu abrir um inquérito apenas pelo crime de "lesão", sem "agravante racial".

Segundo os procuradores, não há indícios que permitam cogitar neste momento a hipótese de racismo. A Arma dos Carabineiros e o governo italiano também excluem essa possibilidade. Após o ataque, a própria Osakue disse que fora atingida por ser negra.  

"Eu já tinha sofrido episódios de racismo, mas apenas verbal. Quando se passa à ação, significa que se superou outra barreira", afirmou. Ainda não se sabe quem agrediu a atleta e, por consequência, suas motivações.

Osakue, 22 anos, é tida como uma promessa do atletismo italiano e já tem a quarta melhor marca na história do país no lançamento de disco, com 59,72 metros. A jovem treina nos Estados Unidos, após ter sido convidada por uma universidade do Texas.

O caso Osakue virou cavalo de batalha da oposição, que diz que o ataque é fruto da postura do ministro do Interior Matteo Salvini, que sempre dá publicidade a crimes cometidos por imigrantes e é acusado de fomentar o ódio contra estrangeiros.

Salvini, no entanto, rebate as acusações e afirma que é uma "bobagem" dizer que há uma "emergência de racismo" na Itália. Outro caso notório é o de um marroquino que foi perseguido até a morte por dois italianos que o acusavam de roubo, em Aprilia.

O imigrante fugia de carro, mas bateu em uma mureta e foi agredido após descer do automóvel. A autópsia ainda vai determinar as causas exatas da morte, mas os dois italianos negam racismo e dizem que o marroquino tentara atropelá-los.

"Dizem que não há racismo no que ocorreu [com Osakue] e o ministro do Interior quis liquidar como 'bobagens' os alarmes daqueles que denunciam o clima xenófobo e os riscos de escalada racista. Pese bem as palavras, olhe a realidade e escute também outras vozes da direita italiana. Negar a evidência de diversos episódios absolve e aumenta o monstro", afirmou Marco Tarquinio, diretor do "Avvenire", principal jornal católico da Itália. 

Ansa - Brasil
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