Macron rebate comentários de Trump sobre seu casamento: 'deselegantes'
O presidente francês Emmanuel Macron disse nesta quinta-feira (2) que os comentários de Donald Trump sobre ele e a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, são "deselegantes". Macron também lamentou que o presidente americano diga "todos os dias o contrário" do que disse na véspera. "Ele fala demais e atira para todo lado. Todos precisamos de estabilidade, de calma, de um retorno à paz. Isto não é um espetáculo!", declarou o presidente francês a jornalistas à margem de uma visita a Seul.
Donald Trump afirmou na quarta-feira (1°) que Brigitte Macron "trata extremamente mal" seu marido, acrescentando que ele "ainda está se recuperando do soco que levou no maxilar", em alusão a um vídeo de maio de 2025, gravado no Vietnã. Nas imagens, Brigitte Macron coloca as duas mãos no rosto do presidente francês. O gesto foi interpretado como um tapa.
Essas falas "são deselegantes e pouco apropriadas. Não merecem resposta", reiterou o chefe de Estado no primeiro dia de uma visita de Estado à Coreia do Sul. Segundo ele, a "esfera pública mundial" é dominada por "questões bem mais graves, especialmente a guerra", para se perder tempo com esse tipo de assunto.
Ao ser questionado sobre as ameaças recorrentes de Donald Trump de abandonar a Otan, Emmanuel Macron criticou sua forma de comunicação. "Se ele coloca todos os dias em dúvida seu compromisso" dentro da Aliança Atlântica, "ela perde o sentido", avaliou. "É uma responsabilidade que as autoridades americanas assumem hoje ao dizer todas as manhãs que farão isto, que não farão aquilo ou outra coisa", prosseguiu.
Guerra no Oriente Médio
Em relação à Otan e ao conflito no Oriente Médio, "é preciso ser sério e, quando se quer ser sério, não se diz todos os dias o contrário do que se disse na véspera", insistiu Emmanuel Macron. O presidente americano pediu à França e a outros países para intervir militarmente para desbloquear o estreito de Ormuz, no Golfo, fechado de fato pela reação iraniana à ofensiva americano-israelense.
Mas uma operação militar para "liberar" à força o estreito estratégico seria "irrealista", respondeu o presidente francês. "Essa nunca foi a opção que escolhemos e consideramos que ela é inviável", declarou, estimando que tal operação "levaria muito tempo" e envolveria "uma série de riscos".
Ele voltou a defender a negociação e o cessar-fogo com o Irã, reiterando que "não é uma ação militar pontual, nem mesmo durante algumas semanas, que permitirá resolver a longo prazo a questão nuclear iraniana", afirmou. "Se não houver uma negociação diplomática e técnica, a situação pode voltar a se deteriorar em alguns meses ou anos. Apenas por meio de uma negociação aprofundada, de um acordo, será possível garantir um acompanhamento duradouro e preservar a paz e a estabilidade para todos", concluiu.
Com agências