MP de Milão descarta irregularidades e apoia indulto de ex-pupila de Berlusconi
Promotores italianos confirmaram parecer favorável após investigação
O Ministério Público de Milão confirmou nesta quarta-feira (3) que mantém o parecer favorável ao indulto presidencial concedido a Nicole Minetti, ex-pupila do ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi (1936-2026) envolvida nos escândalos "bunga-bunga".
A decisão foi anunciada pela procuradora-geral de Milão, Francesca Nanni, após uma investigação complementar não encontrar qualquer irregularidade no processo que embasou o pedido de clemência.
Minetti, de 41 anos, a ex-dentista de Berlusconi e ex-deputada regional da Lombardia, foi condenada por aliciamento de prostitutas e desvio de verbas públicas. Ela cumpriu uma pena total de três anos e 11 meses, mas recebeu um indulto parcial concedido pelo presidente da Itália, Sergio Mattarella, em janeiro deste ano.
O perdão presidencial foi justificado pelo fato de Minetti ter mudado de vida e precisar cuidar de um menino uruguaio de nove anos, adotado por ela e pelo companheiro, o empresário Giuseppe Cipriani, herdeiro da tradicional família fundadora do Harry's Bar.
No entanto, reportagens publicadas pelo jornal italiano "Il Fatto Quotidiano" levantaram suspeitas sobre possíveis irregularidades no processo de adoção da criança e sobre a realização de festas sexuais na mansão do casal no território uruguaio.
Diante das denúncias, Mattarella solicitou ao Ministério da Justiça que encaminhasse o caso ao Ministério Público para verificar a veracidade das informações apresentadas por Minetti para obter o benefício.
Durante a nova apuração, os investigadores italianos acionaram a Interpol e verificaram informações relacionadas à situação de Minetti no Uruguai e na Espanha.
De acordo com Nanni, não foi encontrado qualquer registro de crimes, processos judiciais pendentes ou investigações em andamento contra Minetti ou Cipriani nos dois países.
"A partir das investigações realizadas, constata-se que os fatos relatados nas notícias da imprensa que deram origem a este suplemento de atividade não correspondem à verdade e que não surgiram fatos que conflitem com o quadro probatório já reunido", a, afirmou a procuradora-geral em comunicado.
Segundo ela, os resultados das novas análises foram encaminhados ao Ministério da Justiça italiano.
A Procuradora também descartou irregularidades no processo de adoção da criança que Minetti alegou precisar cuidar e rejeitou as alegações de que ela teria participado de festas regadas a drogas e sexo nos últimos anos.
As acusações, publicadas pelo jornal "Il Fatto Quotidiano" com base em relatos de uma massagista, foram consideradas inconsistentes diante de diversas declarações colhidas durante a investigação defensiva e de depoimentos prestados aos carabineiros por pessoas com conhecimento direto dos fatos.
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