Greve geral paralisa Portugal em protesto contra reforma trabalhista e afeta voos, transportes e serviços públicos
Paralisação convocada por sindicatos aumenta pressão sobre o governo
Portugal enfrenta nesta quarta-feira, 3, uma greve geral convocada pelas principais centrais sindicais do país contra a proposta de reforma trabalhista apresentada pelo governo do primeiro-ministro Luís Montenegro. A paralisação afeta transportes, saúde, educação, indústria e serviços públicos, e já provocou cancelamentos de voos, interrupções no transporte ferroviário e redução do atendimento em hospitais e repartições públicas.
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A mobilização foi organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses e acontece enquanto o pacote de mudanças, batizado de "Trabalho XXI", aguarda votação no Parlamento, após meses de negociações sem consenso entre governo, sindicatos e entidades patronais.
O governo português afirma que a reforma é necessária para modernizar o mercado de trabalho, aumentar a produtividade e atrair investimentos. Entre as principais propostas estão a ampliação das possibilidades de terceirização, a flexibilização das jornadas de trabalho por meio de bancos de horas, mudanças nas regras de contratação temporária e alterações nos critérios de indenização por demissões consideradas irregulares.
Para os sindicatos, no entanto, as medidas representam uma redução de direitos trabalhistas e fortalecem o poder das empresas nas negociações com os trabalhadores. As entidades criticam a ampliação dos contratos temporários e a flexibilização das regras de contratação, que, segundo elas, podem aumentar a precarização do emprego.
Impactos da greve
Os impactos da greve começaram a ser sentidos ainda antes do início oficial da paralisação. Nos aeroportos, centenas de voos foram cancelados ou sofreram alterações. A companhia aérea TAP Air Portugal informou que opera apenas parte de sua programação, enquanto Azul e LATAM Airlines também cancelaram voos entre Brasil e Portugal e ofereceram opções de remarcação ou reembolso aos passageiros.
Já no transporte terrestre, a circulação de trens foi reduzida em diversas regiões do país, e os sistemas de metrô e ônibus em cidades como Lisboa e Porto registram interrupções e atrasos. A expectativa é de que os reflexos no setor ferroviário se estendam até quinta-feira, 4.
Na saúde, hospitais e centros médicos operam com serviços mínimos, priorizando atendimentos de urgência, unidades de terapia intensiva, tratamentos oncológicos e procedimentos emergenciais. Consultas e cirurgias eletivas foram adiadas devido à adesão de médicos e enfermeiros ao movimento.
O setor educacional também foi fortemente impactado. Escolas públicas e universidades suspenderam atividades em várias regiões, afetando milhares de estudantes justamente na reta final do calendário letivo antes das férias do verão europeu.
Segundo os sindicatos, uma adesão de cerca de 50% nos setores público e privado pode gerar prejuízos de cerca de 400 milhões de euros em apenas um dia.
Reforma preocupa imigrantes
A reforma também preocupa a comunidade brasileira residente em Portugal. Com mais de 400 mil trabalhadores formalmente empregados no país, os brasileiros poderão ser diretamente afetados por mudanças como a ampliação da duração dos contratos temporários e a flexibilização das regras de terceirização, medidas que podem influenciar processos de renovação de vistos e obtenção da nacionalidade portuguesa.
Esta é a segunda greve geral realizada contra a reforma trabalhista. A primeira ocorreu em dezembro de 2025. Apesar da forte resistência sindical, o governo mantém a expectativa de aprovar o pacote nas próximas semanas, sob o argumento de que as mudanças são fundamentais para garantir mais competitividade à economia local.
(*Com informações da RFI)
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