Ministro avaliará indulto para joalheiro condenado por matar assaltantes na Itália
Mario Roggero, de 72 anos, reagiu após ter loja roubada em 2021
O ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, determinou nesta sexta-feira (17) a abertura do procedimento necessário para avaliar um possível indulto presidencial em favor de um joalheiro condenado a 14 anos e nove meses de prisão por matar dois assaltantes e ferir um terceiro após um roubo em sua loja, em 2021.
A sentença de Mario Roggero, de 72 anos, que vive na região do Piemonte, foi confirmada na quarta-feira (15), em última instância, pelos magistrados da Corte de Cassação.
Agora, o processo para possível indulto foi encaminhado à Procuradoria-Geral junto ao Tribunal de Apelações de Turim, que ficará encarregada de reunir toda a documentação necessária, incluindo os pareceres do Tribunal de Vigilância e o histórico judicial do condenado.
Após a conclusão da investigação, Nordio decidirá se encaminha ao presidente da República, Sergio Mattarella, um pedido formal de indulto, prerrogativa exclusiva do chefe de Estado italiano.
A iniciativa ocorre em meio à forte mobilização de partidos de direita, que defendem que Roggero agiu em legítima defesa e deveria receber clemência.
No entanto, as decisões judiciais apontaram que o joalheiro perseguiu os assaltantes após eles deixarem o estabelecimento e efetuou disparos contra o veículo enquanto ele se afastava, matando Giuseppe Mazzarino, de 58 anos, e Andrea Spinelli, de 44, além de ferir um terceiro assaltante.
A sentença também mencionou antecedentes de comportamento violento, incluindo um episódio de 2005, quando Roggero teria ameaçado o então namorado de sua filha com uma arma de fogo.
Hoje, Roggero apresentou-se voluntariamente à prisão de Bollate, na região de Milão, após a emissão do mandado de prisão. Antes de ingressar na unidade prisional, criticou publicamente o presidente Mattarella por concessões anteriores de indulto.
"Ele perdoou um traficante que matou 30 pessoas, perdoou Nicole Minetti. Acho que ele deveria refletir. Acho que estou sofrendo uma injustiça", afirmou o joalheiro, acrescentando que esperava receber um indulto presidencial.
Sua esposa, Mariangela Sandrone, foi responsável por protocolar oficialmente um pedido de indulto e também solicitou a suspensão da execução da pena. A defesa, conduzida pelos advogados Stefano Marcolini e Sergio Novani, também pediu o adiamento do cumprimento da condenação.
Na chegada ao presídio, Roggero demonstrou confiança de que deixará a prisão antes do término da pena. "Saio em breve.
Certamente não em 14 anos", declarou.
O joalheiro também criticou a obrigação de pagar uma indenização provisória de 480 mil euros às famílias das vítimas, valor fixado pela Justiça como antecipação da reparação civil, cuja quantificação definitiva será estabelecida posteriormente por um juiz cível.
Ao relembrar os acontecimentos de 28 de abril de 2021, Roggero afirmou que reagiu por medo. "Naquele momento eu estava assustado", disse.
Questionado se se arrependia, respondeu que, olhando em retrospecto, "digamos que sim", mas ressaltou que "é preciso estar naquela situação". Indagado se repetiria a mesma atitude, afirmou que "quando alguém aponta uma arma para você, atira primeiro".
Segundo relatos, Roggero passou as horas que antecederam sua prisão ao lado da esposa e da filha, Laura. Ao despedir-se da família, emocionou-se ao falar dos netos, lembrando a promessa feita a um deles de levá-lo ao parque Gardaland caso não fosse preso. "Prometi, mas agora não poderei", afirmou.
O joalheiro escolheu cumprir a pena em Bollate por recomendação de conhecidos. "Disseram que é uma boa prisão, com muitas atividades. Ainda preciso aprender inglês", declarou.
Fontes ligadas ao sistema prisional relataram que, após entrar na cela, Roggero chorou e demonstrou forte abalo emocional.
Do outro lado do processo, Alessandro Modica, o único assaltante sobrevivente, recebeu a decisão judicial como um reconhecimento da atuação da Justiça. Segundo sua advogada, Carla Montarolo, ele ficou profundamente traumatizado ao presenciar a morte dos comparsas e atualmente busca reconstruir a vida na região da Ligúria.
Enquanto isso, representantes da centro-direita italiana mantêm o apoio ao joalheiro, e o vice-premiê Matteo Salvini anunciou a participação em uma manifestação em frente à prisão de Bollate para defender Roggero e reforçar o pedido de concessão do indulto presidencial. .
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