Megaiate de embaixador dos EUA gera protestos e críticas durante festa em Veneza
Presença da embarcação no 'coração' da cidade foi chamada de 'vergonhosa'
A chegada do megaiate Boardwalk, do embaixador dos Estados Unidos na Itália, Tilman Fertitta, a Veneza nesta sexta-feira (17) provocou críticas de sindicatos e protestos de grupos sociais, em meio às celebrações da tradicional Festa do Redentor.
A embarcação, de 117 metros de comprimento e avaliada em centenas de milhões de dólares, atracou na Riva dei Sette Martiri, na Bacia de San Marco, sob forte esquema de segurança, para acompanhar a queima de fogos do evento.
A visita também faz parte do chamado "Freedom 250 Coastal Diplomacy Tour", um cruzeiro diplomático realizado por Fertitta pela costa italiana em comemoração ao 250º aniversário da Constituição dos Estados Unidos.
Em nota, o secretário da Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL) de Veneza, Daniele Giordano, classificou como "vergonhosa" a presença do iate no centro histórico durante um dos principais eventos da cidade.
"Uma embarcação de 117 metros de comprimento, avaliada em centenas de milhões de dólares, ancorada na Riva dei Sette Martiri representa o oposto exato da nossa visão de sustentabilidade ambiental e social", afirmou.
Segundo Giordano, Veneza não pode ser apresentada como símbolo de sustentabilidade enquanto mantém um modelo econômico baseado no turismo de luxo e na especulação imobiliária.
Para o dirigente sindical, uma cidade sustentável deve garantir proteção ambiental, empregos de qualidade e condições para que trabalhadores e moradores permaneçam vivendo no local.
A chegada do iate também motivou uma manifestação organizada por centros sociais venezianos. Cerca de 250 a 300 pessoas participaram de uma marcha que saiu do Campo San Zaccaria em direção à área onde o Boardwalk estava atracado.
Os manifestantes carregavam uma faixa com a frase "Venezia non si Usa" - um jogo de palavras para significar "Veneza não é para uso dos EUA" -, em referência crítica à presença norte-americana e ao turismo de elite.
Durante o protesto, foram entoadas palavras de ordem contra o presidente americano Donald Trump e o movimento MAGA. A marcha foi interrompida por um bloqueio policial na Via Garibaldi.
De acordo com relatos, houve momentos de tensão, com empurrões e uso de cassetetes pelas forças de segurança durante uma tentativa de avanço dos manifestantes. Após cerca de dez minutos de confronto, o grupo seguiu até a região dos Giardini di Castello, onde encerrou o ato.
A mobilização policial em prol de Fertitta também entrou no debate político em Roma. Parlamentares da Aliança Verdes e Esquerda (AVS) questionaram o governo italiano sobre o uso de recursos públicos para proteger o deslocamento do embaixador americano durante o cruzeiro.
O Executivo confirmou que foram destinados 50 agentes de unidades policiais regulares para a segurança em Veneza, além de unidades especializadas da Guarda de Finanças e recursos militares especializados em defesa contra drones.
O vice-ministro de Empresas e do Made in Italy, Valentino Valentini, afirmou que as medidas seguem as obrigações internacionais da Itália como país anfitrião de um representante diplomático estrangeiro.
Segundo o governo, a proteção do embaixador decorre do artigo 29 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que estabelece a obrigação do Estado receptor de garantir a segurança dos agentes diplomáticos acreditados.
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