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Conterrâneos de El Chapo lamentam punição longe de casa

18 jul 2019
10h31
atualizado às 11h05
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Joaquín "El Chapo" Guzmán nunca mais voltará para Sinaloa.

O chefe mexicano do narcotráfico passará o resto da vida preso nos Estados Unidos, a milhares de quilômetros de distância de seu Estado natal, após ser condenado na quarta-feira por um juiz norte-americano à prisão perpétua, acrescida de 30 anos.

Em Culiacán, capital de Sinaloa, Estado do noroeste do México, locais lamentaram que os mexicanos tenham sido privados da chance de ver o famoso criminoso julgado, condenado e punido em sua terra natal.

Estátua de Joaquín "El Chapo" Guzmán em mercado de Culiacan, em Sinaloa, no México
Estátua de Joaquín "El Chapo" Guzmán em mercado de Culiacan, em Sinaloa, no México
Foto: Jesus Bustamante / Reuters

"Ele não deixa de ser mexicano... deveria estar pagando por seus pecados aqui no México", disse Victor Estrada em uma praça pública de Culiacán.

Após um julgamento de 11 semanas, um júri dos EUA considerou Guzmán culpado de traficar toneladas de cocaína, heroína e maconha e de se envolver em conspirações de assassinato como líder do Cartel de Sinaloa, um dos grupos mais traiçoeiros do narcotráfico no México.

O juiz Brian Cogan obrigou Guzmán a entregar 12,6 bilhões de dólares, dizendo também que ele merece a pena mais rígida possível porque quaisquer qualidades redentoras em potencial do condenado são ofuscadas por um "mal avassalador".

Mas muitos em Sinaloa tratam Guzmán como uma figura à la Robin Hood que ajudou o vilarejo montanhoso pobre em que cresceu e comunidades vizinhas.

Em uma capela de Culiacán dedicada ao santo padroeiro dos narcotraficantes, Jesús Malverde, ambulantes vendem bonecos bigodudos de Guzmán portando rifle e granadas, além de fotos emolduradas do chefão do narcotráfico, ao lado de terços coloridos e imagens de Jesus Cristo.

"Ele tinha um lado ruim, mas para mim era uma boa pessoa", disse Rafael Morales. "Ele ajudou muito Culiacán... muitas pessoas o adoram".

Se tivesse sido enviado à prisão no México, ao menos sua família poderia visitá-lo, comentou Karla Arellano, que considerou a pena injusta.

"Seja lá o que for que ele possa ter feito, ele ajudou", disse.

Guzmán foi extraditado em 2018, após fugir de duas prisões mexicanas - uma supostamente em um carrinho de lavanderia, a outra através de um túnel de mais de um quilômetro de comprimento.

Tendo em conta esse histórico, Guzmán provavelmente será enviado a um presídio de segurança máxima em Florence, no Estado do Colorado, reservado para criminosos perigosos.

Miguel Soto, que deixou uma vela na capela de Jesús Malverde, disse que foi melhor Guzmán ficar preso longe de casa. "Aqui é mais fácil para ele fugir do que nos Estados Unidos".

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