Meloni defende que próximo presidente da República seja de direita
Oposição acusou a premiê de tentar dominar instituições
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que é chegada a hora de uma figura de direita ocupar a Presidência da República, quebrando o "tabu do Quirinale".
Em entrevista ao programa "10 Minuti", da Mediaset, rede de TV da família Berlusconi, a líder do partido Irmãos da Itália (FdI) disse que, após conquistar o Palácio Chigi, sede do governo, a direita pode também almejar o cargo de chefe de Estado.
"Depois de quebrar a barreira do Palácio Chigi, a direita também pode quebrar o tabu do Quirinale [sede da Presidência]. Seria uma notícia terrível para uma certa parte do establishment, mas afirmaria algo muito simples: quem não está à esquerda não é filho de um deus menor", declarou Meloni.
No fim de 2022, ela tornou-se a primeira mulher premiê no país e a chefe de governo mais à direita desde a Segunda Guerra Mundial. O mandato do atual presidente, Sergio Mattarella, termina apenas em 2029, depois das eleições legislativas de 2027 ? na Itália, o chefe de Estado é escolhido pelo Parlamento.
As declarações provocaram críticas da oposição, que acusam Meloni de tentar dominar todas as instituições. "Giorgia Meloni tirou a máscara faz tempo. Ela quer modificar a lei eleitoral para garantir o poder violando a Constituição, uma hipoteca para depois ir à Presidência da República", disse o líder da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), Angelo Bonelli.
A fala faz menção a um projeto do governo para alterar o sistema eleitoral do país, conferindo um "prêmio de maioria" à coalizão mais votada no próximo pleito legislativo. Dessa forma, uma coligação poderia ter o domínio do Senado e da Câmara dos Deputados mesmo sem alcançar a maioria do voto popular.
"Uma coisa ficou clara: Giorgia Meloni está interessada apenas no poder, sobretudo o dela", afirmou Francesco Boccia, líder do progressista Partido Democrático (PD) no Senado.
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