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Manifestantes desafiam proibição e saem às ruas em Hong Kong

Protesto acontece uma semana após episódio de violência em estação de trem

27 jul 2019
09h41
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A polícia de Hong Kong disparou neste sábado, 27, gás lacrimogêneo contra manifestantes que desafiaram a recomendação de autoridades de não marchar por um bairro onde, seis dias antes, uma multidão anônima promoveu um ataque em uma estação de trem. Vestidos de preto, os manifestantes passaram por Yuen Long, embora a polícia tenha se recusado a autorizar o protesto citando um alto risco de confrontos entre manifestantes e moradores da área. Para os participantes, foi uma demonstração de desafio contra os agressores anônimos.

Foto: Tyrone Siu / Reuters

Segundo as autoridades, alguns dos agressores estavam ligados a grupos organizados e outros eram moradores da área. As ruas de Yuen Long se tornaram um mar de guarda-chuvas com o início da marcha noturna. Símbolo dos protestos que abalaram o território semi-autônomo da China em 2014, os guarda-chuvas se tornaram uma ferramenta para ajudar os insatisfeitos a esconder sua identidade diante das câmeras policiais e a se proteger de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Alguns usavam máscaras para cobrir seus rostos.

"A polícia de Hong Kong conhece a lei e a viola", gritavam os manifestantes durante o protesto. Menos de três horas depois do começo da marcha, agentes dispararam gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão. Ao mesmo tempo, o governo advertiu que a polícia poderia agir para dissolver a marcha. De acordo com a nota, alguns dos participantes "carregavam varas de ferro, escudos caseiros e até removiam cercas das estradas", e outros. Eles cercaram e atacaram um carro da polícia com agentes dentro.

O governo havia dito em uma declaração anterior que a polícia estava preocupada com uma "possível deterioração da situação". "A polícia pede que a população permaneça calma e saia da área o quanto antes, já que pode produzir uma cena caótica em um curto espaço de tempo ", disseram as autoridades a princípio.

A rede de transporte público de Hong Kong anunciou que seus trens não fariam suas paradas habituais no Yuen Long no sábado. Várias empresas e instalações públicas fecharam antes da marcha. Poucas horas antes do início do ato, um homem foi preso na área por ferir outro com uma faca, segundo a polícia. O homem é suspeito de agressão comum.

Os protestos em massa em Hong Kong começaram no mês passado a rejeitar um projeto de lei de extradição que teria permitido que os suspeitos fossem julgados na China continental, o que, segundo os críticos, comprometeria seus direitos. A iniciativa foi suspensa, mas as exigências das divergências aumentaram para incluir eleições diretas, a dissolução da atual legislatura e uma investigação sobre a alegada brutalidade policial no território.

Estadão
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