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Macron alerta para tensões com EUA e insta UE a aproveitar "momento Groenlândia" para impulsionar reformas

10 fev 2026 - 08h15
(atualizado às 18h09)
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A Europa deve se preparar para mais ‌momentos de hostilidade dos EUA, alertou o presidente francês Emmanuel Macron, e deve tratar o que ele chamou de "momento Groenlândia" como um alerta para levar adiante reformas há muito adiadas para fortalecer o poder global do bloco.

Em entrevista a vários jornais europeus, o líder francês disse que a União Europeia não deve confundir uma trégua nas tensões com ⁠Washington com uma mudança duradoura, apesar da pausa nas ameaças dos EUA sobre Groenlândia, comércio ‌e tecnologia.

Macron instou os líderes da UE a usar uma cúpula em um castelo belga esta semana para injetar nova energia nas reformas econômicas, a fim de reforçar ‌a competitividade do bloco e fortalecer sua capacidade de ‌enfrentar a China e os Estados Unidos no cenário mundial.

"Quando há um ato ⁠claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo", disse Macron ao Le Monde, Financial Times e a outros jornais em comentários publicados na terça-feira. "Tentamos essa estratégia por meses. Não está funcionando."

Macron declarou que o governo Trump está sendo "abertamente antieuropeu" e buscando o "desmembramento" da UE. Ele disse que ‌prevê mais tensões com o governo Trump, inclusive em relação à regulamentação europeia da tecnologia digital.

"Nos ‌próximos meses, os EUA vão, ⁠com certeza, nos ⁠atacar por causa da regulamentação digital", acrescentou Macron, alertando para a possibilidade de tarifas de importação impostas ⁠pelo presidente dos EUA, Donald Trump, caso a ‌UE use sua Lei de ‌Serviços Digitais para controlar as empresas de tecnologia.

"EUROPA PRECISA DE PROTEÇÃO, NÃO DE PROTECTIONISMO"

A Europa precisa ser mais resiliente diante do duplo desafio dos Estados Unidos e da China, segundo Macron.

"Temos o tsunami chinês no front comercial e temos instabilidade minuto ⁠a minuto do lado norte-americano. Essas duas crises representam um choque profundo — uma ruptura para os europeus", continuou ele.

Macron, cujo segundo mandato termina na primavera de 2027, renovou seu apelo para que a UE embarque em mais empréstimos comuns para ajudar o bloco de 27 nações a investir em grande ‌escala e desafiar a hegemonia do dólar norte-americano.

"Os mercados mundiais estão cada vez mais cautelosos com o dólar norte-americano. Eles estão buscando alternativas. Vamos oferecer a eles a dívida ⁠europeia", disse Macron, acrescentando que as instituições democráticas da Europa são um grande trunfo para os investidores em um momento em que os EUA estão "se afastando do Estado de Direito".

A UE utilizou a dívida conjunta em 2020 para recuperar a economia europeia após a pandemia da Covid-19, mas as tentativas francesas de tornar essas ferramentas permanentes enfrentaram forte resistência da Alemanha e de outros Estados membros do norte mais austeros.

A cúpula de quinta-feira incluirá discussões sobre os planos liderados pela França para uma estratégia "Made in Europe" que estabeleceria requisitos mínimos para o conteúdo europeu em produtos fabricados localmente. A abordagem dividiu os países da UE e alarmou as montadoras.

"Para mim, a estratégia econômica para tornar nossa Europa uma potência reside no que chamo de proteção, que não é protecionismo, mas sim preferência europeia", disse Macron.

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