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Luz solar abundante e muito espaço: como satélites vão abrigar servidores e chips no espaço

Servidores fora da Terra, chips em órbita, satélites interligados por laser e energia solar contínua: o setor tecnológico inaugura uma nova fronteira com os centros de dados espaciais. Em meio à escassez energética e à explosão da inteligência artificial, gigantes como Google, SpaceX e a emergente Starcloud apostam no céu como solução. Sem burocracia, sem consumo de água e com impacto ambiental reduzido, o espaço sideral deixa de ser ficção e vira infraestrutura.

5 nov 2025 - 12h11
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Servidores fora da Terra, chips em órbita, satélites interligados por laser e energia solar contínua: o setor tecnológico inaugura uma nova fronteira com os centros de dados espaciais. Em meio à escassez energética e à explosão da inteligência artificial, gigantes como Google, SpaceX e a emergente Starcloud apostam no céu como solução. Sem burocracia, sem consumo de água e com impacto ambiental reduzido, o espaço sideral deixa de ser ficção e vira infraestrutura.

Instalar chips e servidores no espaço: esse é o objetivo declarado por gigantes e startups do setor tecnológico, que enxergam nessa aposta uma resposta às atuais limitações de abastecimento energético.

"A ideia é que, em breve, fará muito mais sentido construir centros de dados no espaço do que na Terra", afirmou no fim de outubro Philip Johnston, fundador da jovem empresa Starcloud, durante a conferência FII em Riad.

Nos últimos meses, os anúncios se multiplicaram. O mais recente, feito na terça-feira (4), veio do Google e seu projeto Suncatcher, que pretende lançar dois satélites de teste até o início de 2027.

Na sexta-feira, Elon Musk garantiu que a SpaceX será capaz de implantar seus próprios "centros de dados 2.0" com a versão 3 do satélite Starlink, prevista para 2026. Foi um foguete da SpaceX que colocou em órbita, no domingo, o primeiro satélite da Starcloud.

Constelações de satélites em órbita baixa

A maioria desses programas segue uma arquitetura semelhante: constelações de satélites em órbita baixa (LEO), posicionados a apenas 100 a 200 metros uns dos outros (no caso do Google), garantindo conexão confiável entre eles. O vínculo com a Terra será feito por meio de lasers.

"Já temos provas de que isso é possível", explica Krishna Muralidharan, professor de engenharia da Universidade do Arizona, que trabalha no tema.

Ele estima que a tecnologia poderá se tornar comercialmente viável entre 2032 e 2035. Para Jeff Bezos, fundador da Amazon e acionista majoritário da empresa aeroespacial Blue Origin, o prazo varia entre dez e vinte anos.

Nem todos os aspectos técnicos estão resolvidos, como a resistência dos processadores ao alto nível de radiação nesse ambiente.

Céticos também apontam as temperaturas extremas, a dificuldade de manter essas constelações operacionais e a presença de detritos e micrometeoritos que podem danificar a infraestrutura.

"Será preciso engenharia inovadora", admite Christopher Limbach, professor assistente de engenharia na Universidade de Michigan, "mas isso afetará apenas o orçamento, não a viabilidade técnica."

As vantagens do espaço sideral

O espaço oferece múltiplas vantagens em relação à Terra, principalmente no fornecimento de energia: um satélite pode ser colocado em órbita heliossíncrona, garantindo luz solar contínua para seus painéis.

Além disso, um sensor fotovoltaico nessas condições recebe cerca de oito vezes mais energia solar do que seu equivalente terrestre.

O acesso a uma fonte de energia ilimitada e já disponível atrai o setor tecnológico, cujas necessidades crescentes de eletricidade, especialmente para o desenvolvimento da inteligência artificial, hoje enfrentam limitações de capacidade instalada nos Estados Unidos.

Outro ponto forte: a ativação de um centro de dados no espaço não exige aquisição de terreno, nem concessão de licenças regulatórias, e não causa incômodo a ninguém.

Viabilidade econômica

Do ponto de vista climático, Philip Johnston estima que as emissões de um centro de dados espacial representariam apenas 10% das de um site de mesmo porte em solo, embora esse cálculo não leve em conta os impactos do lançamento dos satélites.

Quanto à água, cuja utilização massiva preocupa ambientalistas, ela não será necessária no espaço.

O sistema será semelhante ao das estações espaciais, exigindo apenas líquido de resfriamento em circuito fechado (sem evaporação) e radiadores de dissipação.

"A verdadeira questão é saber se a ideia é economicamente viável", afirma Christopher Limbach.

Até agora, o principal obstáculo para a instalação de chips e servidores no espaço era o custo do transporte. Mas a chegada do megafoguete Starship da SpaceX, ainda sem data definida, pode mudar esse cenário.

Esse gigante será capaz de transportar de 4 a 7 vezes mais carga que o principal foguete da SpaceX, o Falcon 9, e será totalmente reutilizável. O novo veículo deve reduzir os custos em pelo menos 30 vezes.

"Nesse preço", escreveu na terça-feira Travis Beals, líder do projeto Suncatcher, "o custo de lançamento e operação de um centro de dados no espaço pode se tornar comparável ao de um site de mesma capacidade na Terra."

"Pela primeira vez, é possível imaginar novos modelos econômicos para o espaço, ou reinventar os antigos", conclui Christopher Limbach.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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