Lula se reunirá com Trump na Casa Branca na quinta; o que se sabe
Viagem ainda não foi confirmada oficialmente. Possível encontro ocorre semanas após crise aberta pela prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, na quinta-feira (4/5), na Casa Branca, em Washington, apurou a BBC News Brasil. A viagem ainda não foi confirmada oficialmente.
A possível reunião ocorre após a crise aberta entre os dois países por causa da prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos.
O episódio levou o governo americano a expulsar um policial federal que atuava nos Estados Unidos. Em resposta, o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no Brasil.
A relação entre os dois governos tem sido marcada por momentos de tensão e aproximação.
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump chegou a retaliar fortemente o Brasil na tentativa de impedir sua condenação por golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não obteve êxito.
O pacote de medidas incluiu um tarifaço de 50% sobre importações brasileiras ao mercado americano, retirada de vistos de autoridades e inclusão do ministro do STF Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, que impõe restrições financeiras.
No entanto, Lula e Trump passaram a se aproximar desde que tiveram um breve encontro informal durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York em setembro de 2025.
Na ocasião, o republicano disse que houve "química excelente" com o brasileiro.
Depois disso, Lula e Trump trocaram telefonemas oficiais e tiveram um encontro bilateral na Malásia.
A previsão inicial era que o petista seria recebido na Casa Branca em março, mas isso não se concretizou. O adiamento foi atribuído ao conflito entre EUA e Irã, que monopolizou a atenção americana, além de desafios domésticos de Trump, como impacto da alta dos combustíveis no bolso dos americanos.
A crise envolvendo Ramagem
Ramagem foi detido pelo serviço de imigração americano, o ICE em 13 de abril, em Orlando, na Flórida, onde vive desde o final do ano passado com sua mulher e as duas filhas. Dois dias depois, porém, ele foi liberado pelas autoridades americanas.
A prisão do deputado levou autoridades americanas a apurar internamente o que levou a agência a prender o ex-deputado, segundo fontes do governo dos Estados Unidos ouvidas pela BBC News Brasil em caráter reservado.
A detenção de Ramagem não seria de interesse do alto comando do governo do presidente Donald Trump, do contrário, ele não teria sido solto dois dias depois, após forte pressão da ala bolsonarista junto ao governo americano.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação.
Ramagem vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a PF, ele fugiu do Brasil pela divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos.
No dia em que foi preso, a PF divulgou uma nota afirmando que a detenção de Ramagem havia sido resultado de uma cooperação internacional.
Nesse sentido, segundo uma fonte ouvida pela BBC News Brasil, o governo americano também quer esclarecer em que consistiu essa cooperação.
Segundo a fonte ouvida pela BBC News Brasil, haveria dúvidas sobre se o alto comando do ICE, do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Estado tinham conhecimento da cooperação citada pela PF e a agência de imigração para prender Ramagem.
Em reação à prisão, o governo Trump pediu que o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação em Miami, saísse do país.
Lula afirmou em seguida que o Brasil poderia adotar medidas de "reciprocidade". A PF retirou então as credenciais de trabalho de um policial americano que atuava no Brasil junto à corporação.
Em paralelo, a encarregada de Negócios interina da embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada a dar explicações ao Ministério das Relações Exteriores sobre o pedido.
Ao ser questionado pela BBC News Brasil, o Itamaraty não quis detalhar o que foi discutido no encontro.
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