Líder de centro antiterrorismo dos EUA renuncia por ser contrário à guerra no Irã
Teerã não representa ameaça a Washington, declarou Joe Kent
O chefe do centro antiterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, renunciou ao cargo nesta terça-feira (17) por ser contrário aos ataques contra o Irã.
"Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã, que não representava uma ameaça iminente ao nosso país", declarou Kent em um comunicado publicado no X.
Segundo ele, "é evidente que o conflito foi iniciado sob pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano".
Em uma carta endereçada ao presidente dos EUA, Donald Trump, Kent denunciou a "campanha de desinformação" orquestrada por altos funcionários israelenses e pela imprensa, que inflaram a iniciativa "a América em primeiro lugar" do chefe de Estado.
Apoiador de longa data de Trump, Kent é veterano da guerra do Iraque (2003-2011) e explicou como, a seu ver, o ataque conjunto americano-israelense ao Irã, no último 28 de fevereiro, e as promessas de uma "vitória rápida" se assemelham ao debate em torno da invasão ao Iraque pelos EUA e seus aliados no início dos anos 2000.
O líder do centro antiterrorismo de Washington também mencionou sua esposa, Shannon, uma militar morta na guerra na Síria (2011-2024).
"Como veterano que serviu em 11 missões de combate e marido de uma soldado que morreu em um conflito provocado por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em um confronto que não beneficia o povo americano nem justifica o custo de vidas americanas", enfatizou.
O pedido de demissão de Kent gerou críticas na Casa Branca, que chamou de "falsas" muitas das alegações citadas pelo ex-funcionário na carta.
"Permitam-me abordar uma [citação falsa] em particular, que é a de que o Irã não representava uma ameaça iminente a nossa nação", afirmou a porta-voz Karoline Leavitt, segundo a qual, "esta é uma mentira que os democratas e alguns profissionais da mídia liberal repetem".
"Como o presidente disse claramente, havia fortes indícios de que o Irã atacaria os EUA", reforçou Leavitt, dizendo que o republicano, através de seus negociadores, "ofereceu oportunidades ao regime iraniano de interromper suas ambições nucleares".
"Além disso, a ideia absurda de que Trump tomou suas decisões com base na influência de outros nos insulta, mas também nos faz rir. O presidente tem sido consistente por décadas ao afirmar que o Irã não deveria ter armas nucleares", comentou a porta-voz da Casa Branca.
Trump, por sua vez, definiu Kent como "fraco" em termos de segurança.
"Ele foi um ótimo rapaz, mas muito fraco em relação à segurança", disse o mandatário, antes de acrescentar: "Estou feliz que ele saiu".