Líbano tem mais de 100 mil novos deslocados em 24 horas, diz Acnur
Unifil continuará operando na região até fim de seu mandato por aumento da tensão
Mais de 100 mil pessoas foram deslocadas em 24 horas devido aos ataques israelenses no Líbano, totalizando mais de 667 mil civis evacuados desde o início da escalada de tensão no Oriente Médio.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (10) em comunicado do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
Segundo a nota, alertas de evacuação emitidos por Israel para moradores de mais de 53 vilarejos e áreas densamente povoadas no Líbano, somados à intensificação dos ataques aéreos, forçaram famílias em todo o país a fugir em questão de minutos.
"Vidas foram drasticamente afetadas. [...] Mais de 667 mil pessoas registram-se como deslocadas na plataforma online do governo, um aumento de 100 mil em um só dia", declarou Karolina Lindholm Billing, representante da agência da ONU no Líbano, em coletiva em Genebra.
No total, cerca de 120 mil dos deslocados estão abrigados em locais coletivos designados pelo governo local, enquanto muitos outros estão com parentes e amigos, ou ainda buscam por acomodação.
De acordo com Billing, "muitos - frequentemente deslocados pela segunda vez desde o início das hostilidades em 2024 - fugiram às pressas, praticamente sem nada, em busca de segurança em Beirute, no Monte Líbano, nos distritos do norte e em partes do Vale do Bekaa".
Até o momento, o Acnur entregou cerca de 168 mil itens de emergência, como colchões e cobertores, para mais de 63 mil pessoas em mais de 270 abrigos coletivos do governo.
Em meio ao aumento da tensão na região, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) afirmou que continuará operando na região até o fim de seu mandato, previsto para 31 de dezembro de 2026. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões na fronteira entre Líbano e Israel.
A porta-voz da missão, Kandice Ardiel, declarou à ANSA que a Unifil pretende seguir cumprindo suas tarefas ao longo da linha de demarcação entre os dois países.
"Temos um mandato até 31 de dezembro de 2026 e, até lá, pretendemos cumprir as tarefas estabelecidas e apoiar o Líbano e Israel na implementação da Resolução 1701", disse Ardiel a partir do quartel-general da missão em Naqura, localizado a poucos quilômetros da fronteira israelense.
Criada em 1978, a Unifil conta atualmente com cerca de 10 mil soldados provenientes de dezenas de países. Entre eles estão mais de mil militares da Itália, um dos principais contribuintes da operação.
A Resolução 1701, aprovada em 2006 após o conflito entre o Hezbollah e Israel, estabeleceu o cessar-fogo entre as partes e ampliou o papel da missão da ONU.
O texto prevê, entre outras medidas, o reforço da presença internacional no sul do Líbano e o apoio ao exército libanês no controle da área entre o rio Litani e a linha de demarcação com Israel.
Também nesta terça-feira (10), sirenes de alerta para possíveis ataques de mísseis vindos do Líbano foram acionadas em regiões entre o sul de Haifa e o norte de Tel Aviv, segundo relatos da imprensa israelense.
De acordo com informações preliminares, uma onda anterior de lançamentos teria ocorrido minutos antes e foi descrita como um ataque conjunto do Líbano e do Irã. Autoridades israelenses afirmaram que nenhum impacto foi identificado até o momento.
Paralelamente, veículos de comunicação de Beirute relataram que um soldado do exército libanês morreu após um ataque israelense no sul do país.
O incidente teria ocorrido na localidade de Braashit, no distrito de Bint Jbeil. O militar foi atingido durante o ataque, mas não resistiu aos ferimentos.