Leilão de perfuração de petróleo em refúgio de vida selvagem do Alasca tem baixo interesse
O leilão de concessões de petróleo e gás no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, no Alasca, realizado nesta sexta-feira pelo governo dos Estados Unidos, atraiu apenas US$3,7 milhões em lances vencedores para cinco áreas em terra, informaram autoridades do Departamento do Interior dos EUA.
O leilão ofereceu 58 áreas em 689.000 acres em um remoto refúgio de vida selvagem conhecido por ser um habitat intocado para espécies como urso polar, caribu e aves migratórias. Houve nove lances em cinco áreas em terra, totalizando cerca de 70.000 acres, sendo a Hex Energy LLC e a Alaska Industrial Development and Export Authority (AIDEA) as únicas licitantes.
O maior lance individual foi de US$1,7 milhão no lote nº 112, da Hex Energy.
O leilão foi o mais recente teste do apetite do setor pela perfuração no norte do Alasca, um empreendimento de alto risco que envolve décadas de trabalho e bilhões de dólares de investimento.
Também foi o primeiro de quatro leilões no refúgio exigidos pela lei "One Big Beautiful Bill", que o presidente Donald Trump sancionou no ano passado. Ela está alinhada com a promessa de Trump de impulsionar o desenvolvimento de energia nos EUA e é apoiada por autoridades estaduais do Alasca e alguns grupos nativos que querem abrir a perfuração na região para criar empregos e reverter o declínio da produção de petróleo no Estado.
"Feito da maneira correta, em consulta com os administradores indígenas dessas terras, o desenvolvimento tem se mostrado uma força do bem para nossa região", disse Nagruk Harcahrek, presidente-executivo da Voice of the Arctic Iñupiat, em um comunicado enviado por email.
Até o momento, as empresas de petróleo e gás demonstraram pouco interesse na área costeira de 1,5 milhão de acres do refúgio no Alasca ao longo do Mar de Beaufort, embora se estime que ela contenha até 11,8 bilhões de barris de petróleo tecnicamente recuperável, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.
O governo do ex-presidente Joe Biden não recebeu propostas de empresas de energia em janeiro de 2025, quando ofereceu 400.000 acres do refúgio em uma venda determinada pelo Congresso. A primeira venda da região, em 2021, teve poucos compradores.
A produção de petróleo dos EUA já está em níveis recordes devido à perfuração em áreas mais acessíveis, como o Texas e o Novo México, e as empresas limitaram os gastos com novos projetos para se concentrar no retorno de dinheiro aos acionistas.
Um grupo de petróleo e gás disse que o Alasca é uma região importante para o setor.
"Os recursos do Alasca são fundamentais para a segurança energética dos Estados Unidos e esperamos ver investimentos contínuos em todo o Estado", disse um porta-voz do American Petroleum Institute em um email.
Ao contrário da Reserva Nacional de Petróleo (NPR-A), que fica ao lado do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico (ANWR) na encosta norte do Alasca, o refúgio de vida selvagem de 19 milhões de acres não tem estradas, instalações ou outra infraestrutura.
As empresas petrolíferas gastaram US$163 milhões para obter novas concessões na NPR-A em um leilão no início deste ano, e uma usina de gás natural liquefeito está sendo desenvolvida na área.
Uma agência estadual, a Alaska Industrial Development and Export Authority, é atualmente a única proprietária de arrendamentos de petróleo e gás no ANWR, com seis áreas. Até o momento, eles não foram desenvolvidos.
O ANWR é a terra natal dos povos Inupiat e Gwich'in, que estão divididos em relação ao desenvolvimento de petróleo e gás.
"Alguns lugares são importantes demais para serem sacrificados", disse Kristen Moreland, diretora-executiva do Gwich'in Steering Committee, em uma conversa com jornalistas.
"O leilão é muito mais do que sobre economia ou desenvolvimento. Trata-se de saber se nossas vozes, nossa cultura e nosso modo de vida são importantes."
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