Julio Iglesias diz que 'tudo será esclarecido' após denúncias de agressão sexual e tráfico de pessoas
Julio Iglesias, o cantor espanhol que mais vendeu discos no mundo, deu suas primeiras declarações após as acusações de agressão sexual feitas por duas ex-funcionárias de suas mansões na República Dominicana e nas Bahamas, em 5 de janeiro. Em entrevista à revista espanhola Hola na quarta-feira (14), ele afirmou que "tudo será esclarecido".
Julio Iglesias, de 82 anos, nega acusações de agressão sexual e tráfico de pessoas feitas por ex-funcionárias, enquanto ONGs e Justiça espanhola investigam o caso, com repercussão e declarações de surpresa na Espanha.
Segundo a publicação, o cantor, de 82 anos, explicou que "não é o momento de falar, embora esse momento chegue muito em breve" e que pessoas próximas ao artista negam "totalmente os fatos e demonstram espanto diante do que está acontecendo". Julio Iglesias afirma que quer "aprofundar a questão e não deixar nenhuma dúvida sobre as verdadeiras circunstâncias e o relato real de tudo o que aconteceu".
As duas mulheres, que acusam o cantor de "tráfico de pessoas" e crimes "sexuais", e não moram mais na Espanha, serão ouvidas em breve pela Justiça espanhola como testemunhas protegidas. Segundo comunicados das ONGs Women's Link Worldwide e Anistia Internacional, que as acompanham no caso, entre janeiro e outubro de 2021, o cantor "teria agredido e assediado sexualmente" as ex-funcionárias, então com 22 e 28 anos, além de impor condições abusivas de trabalho. A história foi revelada pelo site elDiario.es e pelo canal Univision.
Na terça-feira (13), os dois veículos publicaram uma longa reportagem com depoimentos das duas ex-funcionárias, que eram empregada doméstica e fisioterapeuta do cantor. As duas afirmam ter sido vítimas de abusos sexuais e assédio. O relato de ambas descreve agressões sexuais como penetrações sem consentimento, bofetadas, humilhações e abusos sistemáticos no ambiente de trabalho contra elas e outras empregadas.
Com prova, elas apresentaram documentos trabalhistas, fotografias, gravações, mensagens de WhatsApp, registros de chamadas e solicitações de permissões migratórias feitas por Julio Iglesias aos governos da Espanha, das Bahamas e da República Dominicana.
No comunicado divulgado pelas ONGs, uma delas diz ter denunciado publicamente e apresentado queixa para obter "justiça" e servir de exemplo. "Quero dizer a outras mulheres para serem fortes, falarem, lembrarem que ele não é invencível", disse. "Meu objetivo é garantir que nenhuma mulher sofra esse tipo de violência dele novamente", afirmou a outra ex-funcionária, descrevendo Julio Iglesias como "um velho perverso".
Em coletiva de imprensa na quarta-feira, Giovana Ríos, diretora executiva da Women's Link, considerou as decisões como "um passo muito importante na busca por justiça", e destacou que "as autoridades estão respondendo de forma ágil".
Segundo o jornal El País, Ríos explicou que as medidas de proteção solicitadas na denúncia se justificam porque Julio Iglesias "detém um poder derivado de sua influência e poder econômico". Além disso, há temor de que o cantor tente "localizá-las" ou "dissuadi-las" de seguir com novas ações contra ele.
Ela também revelou que outras mulheres que trabalharam para o artista entraram em contato com a ONG, mas não informou se também foram vítimas, para preservar sua privacidade. A denúncia inclui "fatos que podem constituir crime de tráfico de pessoas para impor trabalho forçado e servidão, violações à liberdade e à integridade sexual, como assédio sexual, além de agressão física e infrações aos direitos trabalhistas", detalham as organizações.
A Procuradoria espanhola por sua vez, insiste no sigilo do inquérito, já que ainda não há uma ação aberta contra Iglesias nos tribunais espanhóis. O Ministério Público tem até um ano para conduzir a investigação e apresentar conclusões, segundo as organizações.
Repercussão na Espanha
As acusações causaram surpresa na Espanha, onde Julio Iglesias era até então uma figura respeitada. "Essas acusações assustam, são terríveis", disse a ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, à RTVE, condenando os fatos. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, declarou à Telecinco estar "muito, muito, muito surpreso" e que são "acusações muito graves".
Segundo ele, "é preciso parar de especular e focar na investigação para saber o que realmente aconteceu." O ex-empresário do cantor, Fernán Martínez, afirmou à Telecinco que Iglesias é "muito carinhoso" e gosta de "contato físico", mas disse "nunca ter presenciado comportamentos agressivos" como os descritos.
Nascido em 1943, Julio Iglesias — intérprete de sucessos como Manuela e Venha Me Beijar — teve a carreira impulsionada nos anos 1970 e se tornou o artista hispânico (e espanhol) que mais vendeu discos no mundo, com centenas de milhões de álbuns comercializados.
Com agências