Japão reforma lei de sucessão imperial, mas mantém veto a mulheres no trono
Família real do país enfrenta escassez de candidatos aptos a se tornar imperador
O Parlamento do Japão aprovou nesta sexta-feira (17) uma reforma na lei de sucessão imperial, mantendo, ao mesmo tempo, a proibição de mulheres no trono de crisântemo.
A medida excluiu a possibilidade de a popular princesa Aiko, de 24 anos, filha do imperador Naruhito, 66, vir a se tornar imperatriz.
No momento, o futuro da dinastia japonesa recai sobre o príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do imperador, filho do príncipe herdeiro Fumihito e segundo na linha de sucessão. Se o jovem não tiver um filho, então, pelas regras vigentes, ele não possuiria herdeiro, e a linhagem seria extinta.
Dessa forma, o projeto de lei aprovado pela Câmara Alta permite a reintegração ao clã imperial de membros de 11 ramificações que deixaram a família após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, desde que tenham mais de 15 anos, sejam solteiros e sem filhos.
Esses indivíduos não poderiam herdar o trono, mas seus futuros descendentes poderiam entrar na linha de sucessão.
As novas regras também acabam com a exigência de que mulheres percam seu status real ao se casar com plebeus. Por outro lado, devido ao gênero, seus filhos não podem se tornar imperadores.
A legislação foi aprovada após disputas internas na coalizão liderada pela premiê conservadora Sanae Takaichi, que, apesar de ser a primeira mulher a governar o país, se opõe à possibilidade de alguém do sexo feminino ocupar o trono japonês.
Uma pesquisa realizada pelo jornal Mainichi Shimbun em junho revelou que apenas 23% dos entrevistados eram favoráveis a que filhos de membros da família imperial readmitidos se tornassem imperadores, enquanto 34% eram contra. Em contrapartida, mais de 70% apoiavam uma imperatriz, e 40% apoiavam a sucessão por via materna.
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