Italiano Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, morre aos 76 anos
Jornalista era defensor da alimentação sustentável e das tradições gastronômicas locais
O jornalista italiano Carlo Petrini, fundador do movimento global Slow Food, morreu na noite da última quinta-feira (21), aos 76 anos, na cidade de Bra, no Piemonte.
O anúncio foi feito pela própria organização internacional, que tem como principais objetivos ajudar a preservar as culturas e tradições gastronômicas de todo o mundo, incentivar o consumo de comidas mais saudáveis e sustentáveis e se opor às redes de fast food.
A causa da morte não foi divulgada. Nos últimos anos, Petrini revelou um diagnóstico de câncer de próstata.
Considerado um dos maiores defensores da alimentação sustentável e das tradições gastronômicas locais, Petrini deixa um legado que transformou a relação entre comida, agricultura e cultura em escala global.
Criado em 1986, o movimento Slow Food surgiu como uma resposta simbólica à chegada da primeira unidade do McDonald's à Itália.
Desde então, a organização passou a defender métodos artesanais e ecológicos de produção de alimentos, combatendo os impactos da agricultura industrial e da produção em massa.
Atualmente presente em 160 países, o Slow Food reúne milhões de membros e apoiadores em torno de causas como a preservação das tradições culinárias regionais, a proteção da biodiversidade, o combate ao desperdício de alimentos e o incentivo à produção em pequena escala de alimentos de qualidade.
Nascido em 1949 na cidade de Bra, na região italiana do Piemonte, Petrini se tornou uma das vozes mais influentes da gastronomia sustentável no mundo.
Em 2004, foi eleito "Herói europeu do Ano" pela revista Time por sua atuação em defesa de um sistema alimentar mais humano e consciente. Já em 2008, o jornal britânico The Guardian o incluiu, o único italiano, em sua lista de 50 pessoas que poderiam salvar o mundo.
Entre suas muitas realizações estão a criação da Universidade de Ciências Gastronômicas em Pollenzo (Bra), a primeira instituição acadêmica do mundo a oferecer uma abordagem interdisciplinar aos estudos alimentares, e as Comunidades Laudato Si'.
Essa rede de aproximadamente 80 comunidades locais reúne pessoas de todas as crenças, unidas pelo amor à casa comum, e opera em plena harmonia com a mensagem da encíclica homônima do falecido papa Francisco.
A encíclica, publicada pela Edizioni San Paolo, é a primeira a apresentar um prefácio escrito por um leigo ? Carlo Petrini ? que não se identifica como crente.
Além disso, há o Terra Madre, rede global que reúne agricultores, pastores, pescadores, chefs, acadêmicos e consumidores para promover a soberania alimentar, a biodiversidade e um modelo de agricultura sustentável.
Em nota, o Slow Food descreveu Petrini como "um líder visionário e intelectual público com profundo compromisso com o bem comum".
A organização afirmou que ele "deu vida a um movimento global enraizado nos valores de uma comida boa, limpa e justa para todos, conectando comunidades, agricultores, artesãos, cozinheiros, ativistas e jovens em todo o mundo".
A entidade também relembrou uma das frases favoritas do fundador: "Aqueles que semeiam a utopia colhem a realidade".
Segundo o comunicado, a expressão resume a trajetória de Petrini, marcada pela crença de que sonhos coletivos e ações concretas podem transformar a sociedade.
"Ele combinou a capacidade de sonhar com um profundo senso de alegria e propósito coletivo, abrindo caminhos reais para a mudança social", afirmou. "Sua energia, determinação e dedicação aos outros continuarão sendo uma força orientadora para todo o Slow Food e para todos aqueles que compartilharam sua visão."
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