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Itália suspende livre circulação de pessoas com Espanha por crise migratória em Ceuta

Primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciou que medida será mantida 'apenas pelo tempo necessário'

31 jul 2026 - 18h33
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A Itália anunciou nesta sexta-feira, 31, a suspensão por um mês da livre circulação de pessoas prevista no Acordo de Schengen com a Espanha. A primeira-ministra, Giorgia Meloni, anunciou que a medida será mantida "apenas pelo tempo necessário" até que se normalize o fluxo migratório na região. Ceuta, um enclave espanhol no norte da África, recebeu milhares de migrantes a nado nesta semana.

A cidade autônoma de Ceuta acordou encontrando um grande número de pessoas ainda entrando a partir do Marrocos logo cedo nesta manhã, após uma noite na qual o fluxo através da região de fronteira não cessou
A cidade autônoma de Ceuta acordou encontrando um grande número de pessoas ainda entrando a partir do Marrocos logo cedo nesta manhã, após uma noite na qual o fluxo através da região de fronteira não cessou
Foto: Marcos Moreno/Europa Press / Getty Images

"O governo decidiu suspender temporariamente o regime de livre circulação previsto pelo Acordo de Schengen nos transportes marítimos e aéreos com a Espanha, reintroduzindo os controles nas fronteiras. Trata-se de uma medida extraordinária, adotada para salvaguardar a segurança nacional e prevenir possíveis repercussões para a nossa nação", escreveu em um comunicado no X. Segundo a premiê, "defender as fronteiras significa defender a segurança dos cidadãos".

Meloni afirmou ainda que um dos objetivos é limitar qualquer impacto nos fluxos turísticos de verão. "Paralelamente, a Itália está pronta para apoiar qualquer iniciativa europeia de suporte às instituições espanholas necessária para restabelecer o pleno controle das fronteiras externas da União e enfrentar com determinação a situação em curso. Defender as fronteiras significa defender a segurança dos cidadãos, combater a imigração irregular e atingir as redes criminosas que traficam seres humanos", escreveu.

O Acordo de Schengen é um tratado assinado por diversos países europeus para eliminar os controles de fronteira nas suas divisas internas, permitindo a livre circulação de pessoas entre os territórios participantes.

O anúncio da suspensão foi feito pelo governo italiano após a chegada de milhares de migrantes a Ceuta, cidade autônoma da Espanha no norte da África. O prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou nesta sexta-feira que cerca de 60 mil migrantes entraram no território nos últimos dias. O número equivale a 70% da população regular de Ceuta, estimada em pouco mais de 80 mil habitantes.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou que a suspensão "é uma escolha necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras europeias".

"Uma medida prevista pelos tratados e tornada hoje ineludível. A crise dos migrantes em Ceuta nos lembra que a gestão das fronteiras da União é uma responsabilidade comum dos nossos Países, uns em relação aos outros. É preciso trabalhar juntos para evitar que fluxos descontrolados de migrantes entrem no território da UE, com todos os riscos subsequentes e com a ameaça do terrorismo, que deve ser combatida sem hesitações", escreveu.

Estadão
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