Venezuela: sob olhar dos EUA, mesa de negociação entre oposição e chavismo será aberta neste sábado
Representantes dos dois grupos discutirão a renovação do Conselho Nacional Eleitoral e do Tribunal Supremo de Justiça, que pode pavimentar o caminho para novas eleições na Venezuela.
Pedro Pannunzio, correspondente da RFI em Caracas
A partir deste sábado (1°), terá início na Venezuela a mesa de negociação entre o governo chavista e o grupo opositor conhecido como Assembleia Nacional de 2015. A expectativa é que as conversas se concentrem nos caminhos para o estabelecimento de uma "transição pacífica e democrática", segundo comunicado do Departamento de Estado dos EUA, que supervisiona o processo e mantém, desde os ataques de 3 de janeiro, a tutela política do governo interino de Delcy Rodríguez.
Ainda que não haja definições claras sobre como será a condução desse processo, já se sabe que, entre os pontos a serem discutidos, está a designação de um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).
"Temos a convicção de que esse processo deve ser conduzido de boa-fé, com transparência, objetivos claros e um compromisso genuíno de alcançar acordos concretos que levem à restauração da democracia em nosso país por meio de eleições livres e justas", afirmou, nesta quinta-feira (30), Dinorah Figuera, designada como presidente do grupo opositor.
No dia 14 de julho, a Assembleia Nacional, presidida por Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez, emitiu um comunicado em que confirmava o início das negociações com a oposição "no contexto da convocação à unidade nacional para enfrentar juntos as consequências do duplo terremoto que enluta o país, e com vistas ao fortalecimento da democracia."
Três dias antes, o presidente do Parlamento venezuelano havia afirmado, durante uma coletiva de imprensa, que o governo "não tinha cabeça" para discutir questões eleitorais, por conta dos terremotos que destruíram parte do país caribenho.
Líderes da oposição ausentes
A mesa de diálogo será formada por 20 integrantes - dez de cada lado. María Corina Machado, principal figura da oposição, não participará do processo. Em um comunicado publicado em 26 de julho, ela afirmou que "não nos cabe explicar o alcance [das negociações]", já que não participou de seu "desenho, formulação e funcionamento".
O texto é assinado em conjunto com Edmundo González, candidato a presidente pela oposição em 2024, que reivindica a vitória eleitoral.
A Assembleia Nacional de 2015, eleita quando a oposição conquistou a maioria do Parlamento venezuelano, foi esvaziada em 2017, após a criação de uma Assembleia Constituinte pelo governo de Nicolás Maduro. Desde então, seus integrantes reivindicam a legitimidade do Poder Legislativo venezuelano.
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