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Itália reforça controle de fronteira com Espanha após aumento de migrantes em Ceuta

31 jul 2026 - 16h37
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A Itália anunciou nesta sexta-feira que ‌deve suspender por um mês o regime de livre circulação do Espaço Schengen com a Espanha, em resposta a uma entrada maciça de migrantes do Marrocos no enclave espanhol de Ceuta.

O governo afirmou, no entanto, que a medida não deve afetar cidadãos espanhóis ou de ⁠outros países da UE que viajam para a Itália e envolveria, ‌em vez disso, controles direcionados a cidadãos de países fora da UE que chegam da Espanha por via aérea ou marítima.

"Trata-se de ‌uma medida extraordinária, adotada para salvaguardar a ‌segurança nacional e prevenir possíveis repercussões para nossa nação", escreveu ⁠a primeira-ministra Giorgia Meloni no X.

"A medida permanecerá em vigor apenas pelo tempo necessário, com atenção especial para limitar qualquer impacto sobre os fluxos turísticos de verão", acrescentou ela.

A Itália, que não compartilha fronteira terrestre com a Espanha, também informou ter acordado com Paris o ‌reforço dos controles ao longo da fronteira franco-italiana para tentar impedir a ‌passagem de migrantes ⁠sem documentos.

MOTIVO INTERNO

A ⁠medida foi tomada após a Espanha afirmar que reverteu em grande parte o ⁠fluxo de migrantes para Ceuta, e ‌que a maioria das ‌mais de 50 mil pessoas que cruzaram para o enclave havia retornado voluntariamente ao Marrocos.

Os críticos do governo de direita de Meloni classificaram as novas verificações na fronteira como em grande parte ⁠simbólicas, argumentando que não há indícios de que os migrantes em Ceuta tenham qualquer desejo de seguir viagem para a Itália.

A coalizão de Meloni, que chegou ao poder em 2022 prometendo reduzir a imigração ilegal, tem enfrentado forte ‌pressão de um novo partido de extrema-direita liderado pelo ex-general do Exército Roberto Vannacci, cuja retórica antimigrante tem encontrado eco entre alguns ⁠eleitores.

Com a migração mais uma vez dominando as manchetes, o governo tem buscado promover uma postura dura em matéria de segurança, mas a oposição, de centro-esquerda, acusa o governo de ceder aos populistas e de prejudicar as relações com a Espanha.

"O problema é que essa é uma proposta puramente demagógica, como de costume, destinada ao consumo interno e para competir com Vannacci, sem resolver absolutamente nada", disse Piero De Luca, um importante parlamentar do Partido Democrático, da oposição.

O Espaço Schengen permite viagens sem passaporte entre 29 países europeus, embora os Estados-membros possam reintroduzir temporariamente controles de fronteira por motivos de segurança ou ordem pública.

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