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Itália nega estar em guerra com Irã e defende soberania sobre uso de bases

Ministro da Defesa deu declaração durante reunião parlamentar

7 abr 2026 - 14h36
(atualizado às 15h04)
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O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou nesta terça-feira (7), durante uma reunião parlamentar de emergência, que o país sabe como fazer cumprir os tratados internacionais e garantiu que Roma não está em guerra com o Irã.

A declaração ocorre após a decisão do governo italiano de negar autorização para que aviões bombardeiros dos Estados Unidos utilizassem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para operações contra o território iraniano.

"Respeitar acordos não significa estar envolvido em uma guerra", disse Crosetto ao Parlamento, reforçando que a Itália integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas não está em conflito com o Irã.

Segundo o ministro, o uso de bases militares americanas em território italiano segue regras claras estabelecidas por tratados e pela legislação nacional.

Crosetto destacou que nenhum governo italiano ? independentemente de sua orientação política ? questionou ou deixou de cumprir os acordos firmados com os Estados Unidos.

"A implementação dos acordos sobre o uso de bases militares americanas na Itália sempre foi caracterizada por uma continuidade absoluta e consistente por mais de 75 anos", afirmou.

Além disso, o ministro ressaltou a necessidade de equilíbrio nas relações com Washington, ressaltando que os Estados Unidos não são Joe Biden, Donald Trump ou Bill Clinton, assim como a Itália não se resume a Giorgia Meloni, Giuseppe Conte ou Mario Draghi. Ele ainda defendeu que a aliança entre os dois países deve ser guiada por instituições e leis, e não por governos específicos.

A recusa em autorizar o uso da base de Sigonella reacendeu lembranças da crise de 1985, quando o então primeiro-ministro Bettino Craxi enfrentou o governo de Ronald Reagan em um impasse envolvendo o sequestro do navio Achille Lauro.

O governo italiano reiterou que os Estados Unidos podem continuar utilizando suas bases no país para operações rotineiras e logísticas, conforme previsto em tratado bilateral. No entanto, qualquer uso para ações militares ofensivas requer aprovação prévia do Parlamento.

Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, Crosetto demonstrou preocupação com a escalada do conflito global. Ele citou os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki como exemplo dos limites já ultrapassados pela humanidade e alertou para o risco crescente associado à proliferação de armas nucleares.

Questionado sobre o papel dos Estados Unidos no conflito, o ministro afirmou que decisões do governo americano não podem ser influenciadas por outros países, mas sugeriu que o presidente Trump deveria contar com assessores mais dispostos a contrariá-lo.

"Um dos problemas desta presidência é que ninguém se atreve a contradizer o chefe", enfatizou ele.

Apesar das tensões, Crosetto disse não acreditar que os EUA deixarão a Otan, apontando que uma decisão dessa magnitude dificilmente seria aprovada pelo Congresso americano.

Durante sua fala no Parlamento, interrompida diversas vezes por aplausos da base governista, o ministro também criticou o nível do debate político após sua convocação.

"Estou muito desapontado com a qualidade da discussão", afirmou, defendendo maior seriedade nas análises sobre temas de segurança nacional.

Ao encerrar, Crosetto pediu união diante do cenário internacional.  "Neste momento, nosso país precisa de união, pelo menos no setor mais difícil que enfrentamos", disse ele, defendendo a necessidade de a Itália "se defender da loucura que parece ter tomado conta do mundo, na qual a busca por armas cada vez mais sofisticadas, a procura pela bomba atômica para resolver disputas internacionais e o desejo de destruir outros países, como o Irã contra Israel, parecem ser a ordem do dia". .

Ansa - Brasil
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