Itália e Espanha revogam controles de passaportes por crise em Ceuta
Acordo de Schengen entre os 2 países ficou suspenso por quase 3 meses
Após quase três meses de tensão, Itália e Espanha revogaram os controles de passaportes nas fronteiras aéreas e marítimas, restabelecendo a livre circulação do Acordo de Schengen. A crise teve início após a entrada de mais de 70 mil imigrantes em Ceuta, levando a Itália a impor restrições por segurança, medida então replicada pela Espanha. O acordo para normalizar o trânsito a partir de sexta-feira inclui o reforço da troca de informações de segurança entre os dois países.
Após quase três meses de tensões, a Itália e a Espanha anunciaram nesta quinta-feira (22) a revogação dos controles de passaportes estabelecidos na esteira da crise migratória em Ceuta, exclave do país ibérico no norte da África.
Em conversa por telefone, os ministros do interior Matteo Piantedosi e Fernando Grande-Marlaska concordaram em não prorrogar a suspensão do Acordo de Schengen, que regulamenta a área de livre circulação de pessoas na União Europeia, na sequência de uma reunião entre os premiês Giorgia Meloni e Pedro Sánchez, há uma semana, em Bruxelas.
Segundo o Ministério do Interior italiano, a revogação dos controles será acompanhada pela potencialização da troca de informações para garantir a "plena segurança" da Área Schengen.
A crise entre os dois países explodiu na esteira da entrada em massa de mais de 70 mil imigrantes procedentes do Marrocos em Ceuta, no fim de julho.
Em 1º de agosto, a Itália restabeleceu os controles de passaportes para viajantes provenientes da Espanha, alegando risco de "infiltração terrorista", embora o exclave não faça parte do Acordo de Schengen.
Madri se irritou com a restrição e, em meio a críticas contra a "falta de solidariedade" do governo Meloni, impôs uma medida análoga aos viajantes procedentes da Itália. Com a revogação, a situação nas fronteiras aéreas e marítimas entre os dois países será normalizada a partir desta sexta (23).
Segundo o governo espanhol, durante os quase três meses de restrições, 38.719 viajantes de países extracomunitários foram submetidos a controles ao chegar da Itália.
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