Itália defende presença de 'frota da ONU' no Estreito de Ormuz
Roma se mostrou contrária a mandar navios da Otan à região
O governo da Itália defendeu nesta quinta-feira (19) que a Organização das Nações Unidas (ONU) envie uma frota de navios para garantir a navegação comercial no Estreito de Ormuz, rota marítima bloqueada pelo Irã devido à guerra lançada por Estados Unidos e Israel no Oriente Médio.
A declaração chega na esteira da recusa dos países ocidentais em mandar navios militares para liberar o estreito, apesar dos apelos do presidente dos EUA, Donald Trump, que defende uma intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região.
"Uma frota europeia seria vista como uma frota da Otan, então como uma frota que entra na guerra ao lado dos Estados Unidos e de Israel. Em vez disso, a bandeira da ONU deve ser hasteada. Uma frota que reúna Europa, China, Ásia, Índia e todos os países do mundo", disse o ministro italiano da Defesa, Guido Crosetto, em entrevista à emissora Rai3.
"Se tivermos de criar um comboio para garantir a segurança de Ormuz, devemos envolver uma coligação de todas as nações, a começar pela ONU, até para dar a ela uma nova vida, para que o Irã não veja isso como um ataque", reforçou Crosetto em outra entrevista, desta vez à rádio RTL 102.5.
O ministro ainda expressou o desejo de que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, seja "convencido a percorrer este caminho".
Na última quarta (18), opinião semelhante já havia sido compartilhada pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani. "Para o Estreito de Ormuz, é necessária uma solução com as Nações Unidas, não vejo outra possibilidade. Não podemos nos envolver em uma guerra, e ir a Ormuz significaria exatamente isso", destacou.
Essa via marítima é crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural liquefeito do Golfo Pérsico, e seu bloqueio pelo Irã provocou uma disparada nos preços de commodities energéticas no mercado internacional.