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Israelenses temem que acordo nuclear dos EUA com Arábia Saudita desencadeie corrida armamentista no Oriente Médio

23 jul 2026 - 08h47
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Um acordo entre ‌os Estados Unidos e a Arábia Saudita, que permite ao reino construir reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana e enriquecer urânio, alimentou temores em Israel de que se inicie uma corrida armamentista no Oriente Médio.

O acordo, que ainda precisa da aprovação do Congresso ⁠dos EUA e foi anunciado na quarta-feira, tem como objetivo permitir ‌que os sauditas desenvolvam um programa nuclear civil.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seus ministros da Defesa e das ‌Relações Exteriores ainda não se pronunciaram ‌sobre o acordo, que, segundo os críticos, compromete os ⁠interesses de segurança de longo prazo de Israel.

"O acordo nuclear que está sendo fechado com a Arábia Saudita, sem o conhecimento de Israel, é uma grave falha estratégica que coloca em risco nossa segurança", afirmou o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que busca derrotar ‌Netanyahu nas eleições de 27 de outubro.

"O enriquecimento nuclear em solo ‌saudita pode levar a ⁠uma corrida ⁠nuclear regional e a uma perigosa perda de controle."

O ex-ministro da Defesa de ⁠Israel Avigdor Lieberman afirmou ‌que "o programa nuclear civil na ‌Arábia Saudita resultará em armas nucleares e levará a uma corrida armamentista insana em todo o Oriente Médio".

Israel, que é amplamente considerado como detentor do único arsenal nuclear da ⁠região, deve se opor ao acordo e pressionar o Congresso dos EUA para impedi-lo, disse ele.

Um acordo nuclear civil entre Estados Unidos e Arábia Saudita vem sendo elaborado há anos, tanto durante o primeiro mandato ‌do presidente norte-americano, Donald Trump, quanto durante o do ex-presidente Joe Biden.

No entanto, nenhum acordo havia sido concretizado até agora, em ⁠parte devido às advertências de grupos de não proliferação que afirmam que isso poderia abrir caminho para a Arábia Saudita desenvolver uma arma nuclear.

Os israelenses também esperavam que qualquer acordo fizesse parte de um pacto de normalização das relações há muito almejado entre Israel e os sauditas, conforme previsto no plano de Biden.

"Não há nenhuma autoridade de segurança que diria que introduzir capacidade nuclear civil na Arábia Saudita sem integrar essa medida à construção de uma aliança regional moderada seja um passo benéfico para a segurança de Israel", afirmou Benny Gantz, ex-titular da pasta israelense da Defesa.

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